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“Os ETFs ativos são um dos segmentos de crescimento mais rápido na gestão global de ativos”, diz Cristian Balteo da Nordea AM

Os ETF começaram por ser passivos tendo em conta que seguiam um índice fielmente. Se o índice caísse, o ETF caia, não havendo seleção de ações para proteger o capital em crises. Mas a Nordea aposta nos ETF ativos em que o gestor de portefólio toma decisões. Mas a Nordea aposta nos ETF ativos em que o gestor de portefólio toma decisões ativas de compra e venda dentro do ETF, como explica em entrevista com Cristian Balteo, Head of Investments Product – Multi-Asset na Nordea Asset Management.
2 Março 2026, 12h00

Em poucos meses desde o lançamento, a gama de ETFs ativos BetaPlus da Nordea Asset Management ultrapassou os 3 mil milhões de euros em ativos sob gestão, com o BetaPlus Enhanced Global Sustainable Equity UCITS ETF a consolidar-se como o maior ETF sustentável de gestão ativa na Europa — atualmente com cerca de 2 mil milhões de euros sob gestão.

Num contexto de crescimento explosivo dos ETFs ativos no continente europeu, impulsionado pela procura por soluções que aliem liquidez, custos competitivos e potencial de superação do mercado, para além de forte foco em sustentabilidade, Cristian Balteo, Head of Investments Product – Multi-Asset na Nordea AM, explica em entrevista o papel crescente da gestão ativa no formato ETF e como estas estratégias respondem às expectativas de investidores institucionais e profissionais num ambiente de maior incerteza macroeconómica para 2025/2026.

Como explica a ascensão dos ETF ativos e o foco da Nordea na gama BetaPlus?

Os ETFs ativos são um dos segmentos de crescimento mais rápido na gestão global de ativos, refletindo a procura dos investidores por soluções que combinem as vantagens estruturais dos ETFs – liquidez, transparência e eficiência de custos – com o potencial de retorno e a gestão de risco das estratégias ativas. À medida que os mercados se tornam mais concentrados e a incerteza macroeconómica se mantém elevada, os investidores procuram cada vez mais abordagens que vão além da simples replicação de índices.

O foco da Nordea Asset Management na gama BetaPlus responde diretamente a esta mudança. As estratégias BetaPlus são concebidas como soluções acionistas melhoradas, com o objetivo de superar os principais índices de mercado através de um enquadramento de investimento quantitativo disciplinado, mantendo simultaneamente um risco ativo controlado e características superiores de sustentabilidade.

Ao disponibilizar o BetaPlus em formato ETF, a Nordea oferece aos clientes uma ferramenta flexível e escalável para a construção moderna de carteiras, com um longo e bem-sucedido histórico: potencial de geração de alpha ativo, entregue de forma eficiente.

Os ETF ativos têm registado um crescimento recorde na Europa. Na sua opinião, o que justifica este interesse repentino por parte dos investidores europeus, especialmente num contexto de maior incerteza?

Depende do segmento de mercado em causa. Nos mercados institucionais e discricionários, onde se incluem grandes fundos de pensões e gestores de fundos, este interesse é impulsionado pela pressão sobre as comissões, pela disciplina na construção de carteiras e pela necessidade de blocos de construção escaláveis que permitam implementar rapidamente as suas visões de alocação de ativos.

No segmento de private banking e investidores de retalho, a negociabilidade intradiária, a simplicidade operacional e a maior disponibilidade são fatores-chave, uma vez que os ETFs são

semelhantes a ações e estão amplamente disponíveis para todos os investidores, independentemente da plataforma onde mantêm os seus investimentos.

Os fundos tradicionais podem, por vezes, estar restringidos a clientes com maiores montantes sob gestão ou depender da disponibilidade em determinadas plataformas. Já os ETFs ativos podem ser adquiridos diretamente através de um smartphone.

Com as previsões de uma “correção séria” nas bolsas a pairar no mercado, qual deve ser o papel de um ETF ativo numa carteira diversificada para 2025/2026?

O próprio formato (ETFs ativos) não traz necessariamente benefícios específicos em caso de correção de mercado. É verdade que os ETFs ativos podem acrescentar alpha face aos ETFs puramente passivos, o que pode ser útil tanto em cenários de descida como de subida, e oferecer maior diversificação relativamente a carteiras compostas por um número reduzido de ações individuais (que é frequentemente a forma como muitos investidores de retalho constroem as suas carteiras).

Ainda assim, tudo dependerá do tipo de estratégia ativa e da capacidade dos gestores de carteira, e não tanto do veículo em si.

Os ETF começaram por ser passivos tendo em conta que seguiam um índice fielmente Se o índice caísse, o ETF caia, não havendo seleção de ações para proteger o capital em crises. Mas a Nordea aposta nos ETF ativos em que o gestor de portefólio toma decisões ativas de compra e venda dentro do ETF. Como é que a gestão ativa dentro de um ETF muda o jogo para um investidor que quer proteger a sua carteira sem abdicar de retornos excedentes (alpha)?

Os ETFs ativos alteram o paradigma na mesma medida em que a gestão ativa o faz. No final do dia, trata-se de ter a estratégia certa — uma estratégia capaz de gerar retornos excedentários consistentes com risco ativo limitado face ao índice de referência.

No caso dos nossos ETFs ativos BetaPlus, os investidores podem contar com mais de 15 anos de histórico dos modelos multifatoriais BetaPlus Enhanced. Estão a investir numa estratégia com mais de 80 mil milhões de euros sob gestão, que tem sido bem-sucedida junto de alguns dos maiores investidores institucionais na Europa e a nível global.

Importa, contudo, clarificar que, atualmente, os nossos ETFs ativos são produtos acionistas geridos com um tracking error limitado face a um determinado índice de referência. Assim, se o mercado cair, enquanto gestores ativos podemos acrescentar algum alpha face ao índice, mas não se trata de produtos de preservação de capital concebidos para proteger integralmente as carteiras em períodos de stress de mercado.

“Os investidores institucionais e profissionais estão claramente a liderar esta mudança. A maior procura pelos ETFs BetaPlus tem vindo de gestores de fundos de fundos, gestores discricionários e investidores institucionais”

Que tipo de investidores (institucionais ou de retalho) estão a liderar esta mudança na Nordea AM?

Os investidores institucionais e profissionais estão claramente a liderar esta mudança. A maior procura pelos ETFs BetaPlus tem vindo de gestores de fundos de fundos, gestores discricionários e investidores institucionais.

Estes clientes já estavam familiarizados com as estratégias BetaPlus e solicitaram especificamente o seu acesso em formato ETF. A distribuição junto do retalho poderá ser uma possibilidade a médio prazo, mas não é o foco inicial.

Assim, a aposta nos ETFs ativos é fortemente impulsionada pelos próprios clientes — e, nesta fase, são sobretudo os investidores profissionais que estão a impulsionar essa procura.

Quer explicar a gama BetaPlus da Nordea Asset Management? São três fundos? Em que se distinguem?

A gama BetaPlus da Nordea Asset Management refere-se a um conjunto de estratégias de investimento ativas baseadas num modelo quantitativo multifatorial disciplinado, com o objetivo de alcançar uma superação consistente do mercado com risco ativo limitado (tracking error). Estas estratégias existem há muitos anos em diferentes formatos de fundos e estão agora também disponíveis em formato ETF, em resposta à procura dos clientes. No que diz respeito ao lançamento dos ETFs, existem atualmente três ETFs BetaPlus em fase de comercialização.

Todos partilham a mesma filosofia e processo de investimento — uma abordagem sistemática e disciplinada que procura gerar alpha consistente com baixo tracking error — mas diferem em termos do universo de investimento e do foco temático.

Os dois ETFs da gama inicial – o Nordea ETF ICAV – BetaPlus Enhanced Global Sustainable Equity UCITS ETF e o Nordea ETF ICAV – BetaPlus Enhanced Global Developed Sustainable Equity UCITS ETF – são baseados nos modelos multifatoriais BetaPlus Enhanced e integram um enquadramento robusto de sustentabilidade para investidores que procuram fortes resultados ESG, combinados com retornos excedentários consistentes e risco ativo controlado. Atualmente, são o maior e o quarto maior ETF sustentável ativo de ações na Europa, respetivamente.

O terceiro ETF ativo, o Nordea ETF ICAV – BetaPlus Enhanced European Select Equity UCITS ETF, tem um foco climático e está associado a um universo de investimento baseado no índice MSCI ACWI Select Climate 500, privilegiando empresas com menores emissões de gases com efeito de estufa e objetivos de redução de emissões validados pela iniciativa Science Based Targets.

Em resumo, a gama BetaPlus ETF é composta por três ETFs que utilizam o mesmo processo quantitativo, mas com diferentes exposições e mandatos (incluindo um com orientação climática), de forma a responder a diferentes interesses dos investidores.

“Temos mais de 80 mil milhões de euros investidos em estratégias BetaPlus e esperamos que, ao longo do tempo, o formato ETF ativo represente uma parte significativa desses ativos”

Foi anunciado que a gama de ETF BetaPlus ultrapassou os 3 mil milhões de euros em ativos sob gestão, ao fim de alguns meses após o seu lançamento. Qual o montante atual em ativos sob gestão? Quais são as metas?

Não temos um objetivo fixo de ativos. O crescimento será impulsionado pela procura dos clientes, e o formato ETF permite-nos responder às suas necessidades de uma nova forma.

Temos mais de 80 mil milhões de euros investidos em estratégias BetaPlus e esperamos que, ao longo do tempo, o formato ETF ativo represente uma parte significativa desses ativos.

O BetaPlus Enhanced Global Sustainable Equity UCITS ETF já atingiu 2 mil milhões de euros sob gestão, seguido pelo BetaPlus Enhanced Global Developed Sustainable Equity UCITS ETF, com 1 mil milhões de euros.

O BetaPlus Enhanced European Select Equity UCITS ETF — lançado em outubro — gere atualmente cerca de 420 milhões de euros (dados de 16 de fevereiro de 2026).

Um dos grandes argumentos dos ETFs é o custo baixo. Como é que a Nordea consegue manter as taxas competitivas (TER em torno de 0,25%) oferecendo gestão ativa especializada?

Um ponto-chave para compreender é que não se trata de estratégias criadas de raiz que exijam a construção de uma plataforma totalmente nova. A BetaPlus já gere cerca de 80 mil milhões de euros, pelo que a escala já existe. Os ETFs constituem simplesmente um ponto de acesso adicional a estratégias já consolidadas. Isto permite à Nordea tirar partido do mesmo processo de investimento, infraestruturas, sistemas de risco e equipas de gestão de carteira, mantendo os custos incrementais relativamente limitados.

A comissão de gestão dos ETFs está alinhada com as estratégias BetaPlus existentes e posiciona-se de forma competitiva para uma abordagem ativa quantitativa melhorada.

Embora não tenha o preço de um ETF passivo de índice, a comissão reflete o valor de um modelo multifatorial disciplinado que tem gerado alpha consistente com tracking error controlado ao longo de 15 anos.

Em suma, a eficiência de custos resulta da escala e da utilização de capacidades já existentes — não de comprometer o processo de investimento.

A Nordea diz que tem o maior ETF ativo sustentável da Europa. Como é que conciliam os objetivos ESG com a necessidade de não se desviarem demasiado dos índices de referência?

Assentes na reconhecida especialização da Nordea AM em sustentabilidade, os ETFs ativos sustentáveis BetaPlus Enhanced oferecem um nível de exigência de sustentabilidade de ponta — sem exigir que os investidores profissionais alterem os seus índices de referência.

Estas estratégias vão além das exclusões dos Paris Aligned Benchmarks exigidas pelas orientações de nomenclatura da ESMA, comprometendo-se a manter pelo menos 50% de investimentos sustentáveis e a apresentar uma pegada de carbono pelo menos 25% inferior à dos seus índices de referência, bem como uma pontuação de qualidade ESG superior.

Adicionalmente, seguem as políticas de investimento responsável da Nordea AM, incluindo práticas de engagement ativo, exclusões corporativas e baseadas em normas, bem como exclusões setoriais rigorosas e requisitos mínimos de ESG — critérios que consideramos fundamentais para uma carteira verdadeiramente sustentável.


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