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Otimismo com cedências: como é que os portugueses estão a encarar 2026?

Os portugueses entram em 2026 com confiança moderada nas suas finanças: 63% dizem sentir-se positivos, segundo um inquérito da Dynata para a Revolut. Ainda assim, apenas 18% afirmam estar plenamente satisfeitos e quase 60% antecipam a necessidade de fazer cortes, revelando um equilíbrio delicado entre otimismo, contenção e uma gestão mais rigorosa do orçamento.
6 Janeiro 2026, 10h09

Os portugueses entram em 2026 com um sentimento que mistura esperança e contenção. Apesar da inflação persistente, do custo da habitação e das incertezas económicas globais, quase dois terços dizem sentir-se confiantes em relação à sua situação financeira. Ainda assim, a maioria antecipa cortes e ajustamentos, num exercício de equilíbrio entre ambição e prudência.

De acordo com um inquérito nacional realizado pela Dynata para a Revolut junto de mil adultos portugueses, 63% afirmam sentir-se positivos quanto às suas finanças no início de 2026. Destes, 18% dizem estar genuinamente satisfeitos com a sua situação atual. O otimismo é mais evidente entre os baby boomers, enquanto as gerações mais jovens revelam maior cautela — reflexo, em parte, de trajetórias profissionais mais instáveis e de maiores dificuldades no acesso à habitação.

A confiança, ainda que moderada, não é passiva. Um terço dos inquiridos (32%) planeia gerir o dinheiro de forma mais ativa, seja através da poupança ou do investimento. Outros 13% apostam em estratégias para aumentar o rendimento, como mudar de emprego, investir em novas competências ou procurar progressão na carreira. Ainda assim, a outra face da moeda permanece visível: 30% assumem uma visão pessimista, com 22% a confessarem ansiedade constante em relação às finanças pessoais e 8% a sentirem que, apesar do esforço, não conseguem progredir.

Autodisciplina acima de tudo

Quando questionados sobre o que mais poderia melhorar a sua situação financeira em 2026, os portugueses apontam menos para fatores externos e mais para o comportamento individual. A autodisciplina surge destacada como a principal “ferramenta” financeira: metade dos inquiridos considera que controlar impulsos e manter hábitos consistentes é mais determinante do que ganhar mais dinheiro.

Segue-se a educação financeira, mencionada por 33%, e, em terceiro lugar, a tecnologia: 21% acreditam que uma aplicação financeira simples e intuitiva poderia ajudá-los a controlar despesas, poupar e investir melhor.

Curiosamente, o impacto dos hábitos digitais no consumo não passa despercebido. Um em cada dez portugueses admite que uma proibição das redes sociais ajudaria a reduzir tentações de compra. Percentagem semelhante diz que recorreria a ferramentas de inteligência artificial para planear e gerir melhor o orçamento.

“A motivação pessoal e a autodisciplina continuam a ser os principais motores do progresso financeiro, mas a tecnologia pode ser uma forte aliada na transformação de boas intenções em resultados concretos”, afirma Ignacio Zunzunegui, Head of Growth Southern Europe da Revolut. “Ao consolidar insights de despesas, orçamento e opções de investimento numa única plataforma sofisticada, a Revolut capacita os clientes a ir além da simples autodisciplina e a alcançar uma verdadeira mestria financeira em 2026.”

Cortar, mas com limites

Apesar do sentimento relativamente otimista, a contenção marca as expectativas para 2026. Quase seis em cada dez portugueses esperam ter de fazer cortes para acomodar despesas essenciais como habitação, energia e alimentação.

A roupa lidera a lista das cedências, com 30% a preverem gastar menos. Seguem-se as despesas não essenciais — viagens, beleza e compras por impulso — referidas por 26%. Mesmo o supermercado não escapa à pressão: 21% planeiam reduzir gastos com alimentação, um dado que evidencia o impacto continuado do custo de vida.

Mais preocupante é o facto de 7% admitirem que poderão ter de cortar em despesas com saúde ou cuidados médicos, um indicador sensível num contexto de envelhecimento da população e de crescente pressão sobre os serviços públicos.

Ainda assim, há áreas que muitos consideram intocáveis. Para 14%, as despesas com os filhos não entram em negociação. Outros 12% dizem não estar dispostos a abdicar de viagens, e a mesma percentagem recusa cortar em restaurantes e refeições fora de casa — pequenos prazeres que continuam a ser vistos como essenciais para a qualidade de vida.

No balanço final, apenas 10% dos portugueses se sentem plenamente confiantes de que conseguirão suportar tudo o que precisam e desejam em 2026 sem dificuldades. Um quarto acredita que será possível, mas apenas com planeamento rigoroso e esforço contínuo.

Entre o otimismo e a prudência, o retrato é claro: os portugueses entram em 2026 mais conscientes, mais disciplinados e com expetativas ajustadas. Menos euforia, mais cálculo — e a certeza de que, para muitos, gerir bem o dinheiro será tão importante quanto ganhá-lo.


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