A economia portuguesa vai crescer este ano e até com um ritmo mais acelerado do que é esperado para a média europeia, apoiada na execução dos fundos europeus, na resiliência do emprego e numa trajetória orçamental mais sólida do que há uma década. Não é um milagre económico, é normalização, pelo aqui. A inflação parece estar controlada e as taxas de juros não deverão subir. As bolsas têm margem para valorização, apesar dos receios de que a bolha da inteligência artificial rebente, com estrondo, e acabe o jogo.

Mas nada disto é certo, é apenas otimismo, moderado, que as previsões, as projeções e os desejos dos decisores apontam. Desde o longínquo ano de 2019, o último antes da pandemia, em que tudo mudou, que aprendemos a viver assim, num estado de instabilidade quase permanente, com um otimismo moderado. A surpresa deixou de o ser. A incerteza é o cenário-base. Continuará a ser assim e o que podemos desejar é que as decisões que nos cabem, como a participação em eleições, possam ser tomadas com alguma consequência.

Em Portugal, temos as presidenciais, agora. São importantes para se perceber o quadro em que tudo o resto deve funcionar, nomeadamente a prometida ação governamental que passa por reformas, muitas: trabalho, Tribunal de Contas, contratação pública, código penal e mais. Desejos, com intenso debate político, porque Luís Montenegro vai ter de negociar isto, mas também a composição do Tribunal Constitucional, a Provedoria de Justiça e mais. No final, a única coisa certa é que a incerteza vai continuar. Com isso podemos contar, que não nos vamos surpreender.