O crescimento dos dividendos na Europa vai continuar em 2026. Segundo as estimativas da Allianz Global Investors (AllianzGI) , as empresas que integram o índice Stoxx Europe 600 vão distribuir cerca de 454 mil milhões de euros em dividendos, face aos 437 mil milhões de euros em 2025, o que pressupõe um aumento anual de 4%.
As empresas portuguesas incluídas no índice Stoxx Europe 600 vão pagar cerca de 3,4 mil milhões de euros em dividendos em 2026, o que representa um aumento de 8% face ao ano anterior (3,2 mil milhões de euros).
Em janeiro de 2026, as empresas portuguesas que integram o índice Stoxx Europe 600 — o referencial das 600 maiores cotadas da Europa — são a EDP (Energias de Portugal); Galp Energia; Jerónimo Martins; EDP Renováveis; e o BCP (Banco Comercial Português) – O banco regressou ao índice em 2023 e mantém-se como um dos componentes em 2026.
A rentabilidade por dividendo esperada – i.e., a percentagem distribuída face ao preço atual da ação – acompanha esta tendência, segundo a gestora de ativos.
Para as empresas do índice Stoxx Europe 600, este rendimento poderá atingir cerca de 3,2% este ano, um nível comparável às obrigações do Tesouro alemão a 15 anos.
Para as empresas portuguesas incluídas no índice Stoxx Europe 600, A AllianzGI prevê um rendimento de dividendos de 4,3% para 2026. No ranking europeu, a Noruega deverá ocupar o primeiro lugar em 2026, com um rendimento de dividendos previsto de 5,8%.
“Por setores, esperamos um maior crescimento dos dividendos no setor financeiro e uma descida no mercado de consumo discricionário”, refere a gestora de ativos.
O estudo da Allianz Global Investors para 2026 destaca a importância dos dividendos enquanto uma “segunda fonte de rendimento” e uma componente-chave na retribuição dos acionistas em ações.
Grant Cheng, gestor de carteiras da AllianzGI, defende que “a tendência altista dos dividendos na Europa mantém-se e ainda que o crescimento em 2026 seja idêntico ao de 2025, esperamos um avanço mais significativo em 2027, impulsionado pelo aumento dos lucros das empresas europeias em 2026”.
“Para 2026, prevemos uma tendência em baixa no pagamento de dividendos no segmento de consumo discricionário, que inclui, entre outros, os setores automóvel e de bens de luxo, em resultado de lucros empresariais mais baixos em 2025. Pelo contrário, estes vão continuar a subir no setor financeiro, que deverá manter-se o maior pagador de dividendos além de 2026”, acrescenta.
Estudo de Dividendos da AllianzGI em 2026: um pilar essencial de retorno e “segunda fonte de rendimento”
O Estudo de Dividendos da Allianz Global Investors 2026 destaca que esta forma de retribuição representa uma parte essencial, e muitas vezes ainda subestimada, da rentabilidade total das ações, além de ser uma forma eficaz de gerar uma “segunda fonte de rendimento”.
Nos últimos 40 anos, os dividendos foram responsáveis por cerca de 39% do retorno anualizado total das ações europeias (MSCI Europe). Na América do Norte (MSCI North America) e na Ásia-Pacífico (MSCI Pacific), os dividendos representaram, respetivamente, quase 21% e mais de 49%, revela a gestora de ativos.
“Os dividendos contribuem significativamente para a rentabilidade total e, graças à sua política de distribuição firme, também trazem estabilidade à carteira. De facto, as carteiras compostas por empresas com maiores rácios de distribuição de dividendos apresentam menor volatilidade do que aquelas compostas por empresas com baixos dividendos”, explica Hans-Jörg Naumer, autor do estudo e Diretor de Mercados de Capitais e Análise Temática da AllianzGI.
“Do ponto de vista setorial, a análise mostra que as carteiras compostas pelos 25% maiores pagadores de dividendos, tanto no Stoxx Europe 600 como no S&P 500, têm uma maior exposição a setores como os serviços públicos, as telecomunicações e os bens de consumo essenciais. Por outro lado, as carteiras com as empresas que pagam os dividendos mais baixos têm um maior peso na tecnologia, nos bens de consumo essenciais e na energia”, conclui.
Além disso, as empresas que pagam dividendos tendem a manter políticas de distribuição estáveis e crescentes. Nos últimos 20 anos, a maioria das empresas do Stoxx Europe 600 aumentou os seus dividendos ano após ano, enquanto apenas uma minoria optou por reduzi-los.
Hans-Jörg Naumer conclui dizendo que “graças ao seu crescimento consistente e à sua contribuição significativa para os retornos totais, os dividendos são uma excelente forma de gerar uma segunda fonte de rendimento a partir dos investimentos. Estes rendimentos podem ser utilizados para fins como a educação dos filhos, o lazer ou a reforma, algo particularmente relevante num contexto de profundas mudanças estruturais”.
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