Pandemia agrava prejuízos da TAP no primeiro trimestre para 395 milhões de euros

Com as medidas de confinamento, o mês de março afetou o resultado do primeiro trimestre da companhia aérea portuguesa, mês em que o EBITDA caiu 80,4 milhões de euros para 46,3 milhões de euros negativos.

A TAP teve prejuízos de 395 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020, um agravamento do resultado líquido de 288,4 milhões de euros face ao período homólogo — no primeiro trimestre de 2019, a TAP registou prejuízos de 106,6 milhões de euros.

A pandemia alterou o paradigma operacional da companhia área que vinha prosseguindo em crescendo nos dois primeiros meses de 2020, em linha com a segunda metade do ano de 2020.

A empresa sustenta, em comunicado, que a “quebra de atividade verificada em março de 2020 em resultado da pandemia Covid-19 impactou negativamente a performance da TAP no primeiro trimestre, compensando a boa performance observada nos primeiros dois meses do ano”.

“O mês de março foi já significativamente afetado pelas medidas de contenção adotadas pelas autoridades nacionais e internacionais que se refletiram numa acentuada quebra na procura e levaram a TAP a diminuir a sua capacidade operacional, traduzindo-se numa deterioração progressiva da atividade ao longo do mês”, adianta a companhia aérea.

A TAP explica que os prejuízos no primeiro trimestre se relacionaram com “eventos relacionados com a pandemia”, nomeadamente “pelo reconhecimento de overhedge de jet fuel de 150,3 milhões de euros”, e também devido às diferenças de câmbio líquidas negativas de 100,5 milhões milhões de euros.

No entanto, excluindo estes dois efeitos, o prejuízos nos primeiros três meses do ano alcançariam os 169,9 milhões, um valor superior ao registado no período homólogo.

A nível operacional, a pandemia resultou numa diminuição de 12,6% dos passageiros transportados em relação aos três primeiros meses de 2019. Só em março, a companhia transportou menos 54,7% de passageiros face ao mês de março de 2019.

Os rendimentos operacionais totais caíram 5% e as receitas com as passagens contraíram 3,7%, tendo-se registado uma quebra destes rendimentos operacionais totais em março de 47,7%, isto é, 106,3 milhões de euros, enquanto as receitas das passagens caíram 46,9% no mesmo mês, uma queda de 90,3 milhões de euros.

O EBITA contraiu 26 milhões de euros para -22,6 milhões de euros e o resultado operacional atingiu os 155,3 milhões de euros, isto é, menos 53,9 milhões face ao primeiro trimestre de 2019.

“No mês de março a quebra do EBITDA foi de 80,4 milhões de euros year-on-year e [a] do resultado operacional [foi] de 89,7 milhões de euros year-on-year, tendo estes indicadores atingido no mês de março o valor de -46,3 milhões de euros e -92,7 milhões de euros, respetivamente”, lê-se no comunicado.

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