Paulo Macedo critica “desinformação” e recusa “aumento brutal” de comissões na CGD

O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, recusa veementemente que tenha havido um “aumento brutal” das comissões bancárias e classifica de “desinformação” as notícias que avançam um crescimento de 73% destas despesas.

“Não houve qualquer aumento brutal das comissões cobradas pela Caixa Geral de Depósito (CGD)”, disse Paulo Macedo em declarações à agência Lusa, em Madrid, à margem da conferência de imprensa que assinalou a conclusão da venda da filial espanhola do banco português, o Banco Caixa Geral (BCG), ao Abanca.

O presidente da CGD explicou que o aumento das comissões foi de 2,3% em 2018 e será na ordem dos 3-4% em 2019 e em 2020, sendo “totalmente desinformação os aumentos de 73%” noticiados.

“As comissões que a Caixa cobra estão abaixo das comissões que o banco cobrava em 2015”, assegurou Paulo Macedo, ao mesmo tempo que salientou que se deve ver a questão num contexto de custos financeiros mais baixos para os particulares (famílias) e para as empresas.

Paulo Macedo recordou a existência na CGD de “mais de 1,5 milhões de clientes com contas Caixa que não pagam” comissões, assim como acontece com outros bancos portugueses, e “mais de um milhão de contas, designadamente de reformados e de jovens até aos 26 anos, isentas”.

“Não há qualquer aumento, há sim sempre uma confusão sobre o que o banco público é e devia ser”, concluiu o responsável executivo máximo da CGD.

Paulo Macedo insistiu que “o banco público não serve para ser barato, serve para ser inclusivo, mas serve, sobretudo, para ser sustentável”, razão pela qual esteve hoje em Madrid.

A CGD formalizou hoje na capital espanhola a venda definitiva de ações representativas de 99,79% do capital do BCG, sociedade de direito espanhol, ao grupo bancário espanhol Abanca, por 384 milhões de euros.

“Esta operação em Espanha aumenta os capitais próprios de base da Caixa em 110 pontos [rácio CET 1], o que faz com que seja um banco mais forte, que possa investir mais em tecnologia, possa servir melhor os seus clientes e, sobretudo, não voltar a pedir dinheiro ao Estado”, disse Paulo Macedo.

O presidente executivo sublinhou que o facto de a CGD ser um banco público lhe vai permitir continuar a ser um banco português: “Se a Caixa não fosse pública, já não seria portuguesa, com a questão da dívida”, disse.

Paulo Macedo realçou algumas razões que distinguem a CGD como entidade do setor público: banco de proximidade, a decisão de conceder crédito está em Portugal, e o facto de ter um banco de investimentos para apoiar a reestruturação das empresas portuguesas e o financiamento e a colocação de dívida no mercado secundário.

“Há muitas coisas que distinguem a Caixa [como entidade da esfera pública] e há muitas que não”, concluiu Macedo, dando como exemplos deste último caso o facto de os rácios de capitais serem “iguais” aos privados, assim como a regulação ou as regras das autoridades de concorrência.

Vários órgãos de comunicação social deram conta nos últimos dias de que a CGD aumentou, em média, 73% os custos para os clientes durante um período temporal que coincide com a tomada de posse de Paulo Macedo como presidente do banco público, há três anos.

No domingo, o Jornal de Notícias avançou que “a nova gestão da Caixa aumentou custos para clientes em 73%”, referindo uma recolha de dados feita pela Deco segundo a qual, “olhando para a atualização anunciada para janeiro de 2020 e somando todos os aumentos no preçário – não esquecendo aqueles produtos ou serviços que eram gratuitos e começaram a ser cobrados -, há um agravamento de 133,80 euros no espaço de três anos”.

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