PCP diz que são “inaceitáveis” novas injeções no Novo Banco e insiste na nacionalização do banco

Em entrevista à “TSF”, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que o Estado não deve continuar a “encharcar” o Novo Banco de milhões de euros, a não ser que passe a haver um controlo público do banco.

António Pedro Santos/Lusa

O Partido Comunista (PCP) afirmou esta terça-feira que é “inaceitável” e “um escândalo” que o Novo Banco venha a pedir mais dinheiro ao Fundo de Resolução do que estava estimado, devido à pandemia da Covid-19. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defende que o Estado não deve continuar a “encharcar” o Novo Banco de milhões de euros, a não ser que passe a haver um controlo público do banco.

“Consideramos [que a possibilidade de o Novo Banco poderá receber uma injeção de capital devido à pandemia é] inaceitável e um escândalo, particularmente para aqueles que estão no desemprego, que perderam tudo do seu salário e dos seus direitos, e que vão questionar o porquê”, afirmou Jerónimo de Sousa, em entrevista à rádio “TSF”, sobre a eventual injeção de capital automática pelo Estado no antigo BES.

Em causa estão as declarações do presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, em entrevista ao “Jornal de Negócios” e à rádio “Antena 1”, de que “a deterioração da situação económica leva a necessidades de capital ligeiramente suplementares” às estimadas para este ano e que foram comunicadas ao Fundo de Resolução.

Jerónimo de Sousa apontou o dedo a quem negociou a venda do Novo Banco, “à revelia da Assembleia da República”, dizendo que “toda a gente sabia quem era” a Lone Star. “Não vamos aqui criticar a Lone Star porque toda a gente sabia quem era e quais eram os seus objetivos: uma espécie de abutre que procura apanhar os restos”, disse o líder comunista, notando que, neste caso, se tratam de restos do BES.

O secretário-geral do PCP criticou ainda o contrato de compra pela Lone Star, que, segundo o jornal “Público”, “previu que em ‘circunstâncias de extrema adversidade’, como uma pandemia, o Estado é forçado a injetar automaticamente o dinheiro necessário para manter o banco dentro das metas de solidez definidas”.

Jerónimo de Sousa rejeita que passe a “ser automático o encharcamento de milhões de euros numa autêntica sangria desatada, tendo em o quadro económico e social” em que o país vive devido à Covid-19. “Estas injeções permanentes são mais chocantes na situação em que vivemos”, sublinhou.

O líder do PCP insistiu ainda numa ideia há muito defendida pelos comunistas, que é a nacionalização ou “o controlo público” do Novo Banco, para que o Estado não seja “um mero pagador e espetador”. “Continua a justificar-se: o Estado assume o seu papel, seja por nacionalização, seja por controlo público, para impedir que seja uma sangria desatada”, referiu Jerónimo de Sousa.

E acrescentou: “Momentaneamente pode ficar mais caro, mais à frente podia ser uma solução em termos de instituições financeiras em que, aliado à Caixa Geral de Depósitos (CGD), ficaríamos com dois instrumentos poderosos para acudir e dar uma contribuição para dar resposta aos problemas que o nosso país tem neste momento”.

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