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Pedro Castro e Almeida sai da presidência do Santander Totta a 1 de março

Pedro Castro e Almeida vai deixar a presidência executiva do Banco Santander Totta a 1 de março, sabe o Jornal Económico. O banco em Portugal passará a ter como CEO uma mulher, Isabel Guerreiro. Que banco deixa Pedro Castro e Almeida?
Cristina Bernardo
30 Janeiro 2026, 10h01

Pedro Castro e Almeida vai deixar a presidência executiva do Banco Santander Totta a 1 de março, sabe o Jornal Económico. O anúncio da saída com efeitos a 1 de março foi feito esta sexta-feira.

O banco em Portugal passará a ter como CEO uma mulher, Isabel Guerreiro, que foi aprovada no início do mês pelo Banco Central Europeu, mas o processo remetido ao Banco de Portugal aguardava até agora o pedido de registo de alteração de função a ser remetido pelo Santander que entretanto está a fazer também alterações à sua cúpula em Espanha.

O até agora CEO do banco Santander em Portugal desde 2019, sucede a Mahesh Aditya como Chief Risk Officer (CRO) do grupo Santander, que por sua vez  será nomeado CEO do Santander no Reino Unido.

Em comunicado o banco, oficializou a notícia. “O Banco Santander Totta, informa que, atenta a nomeação de Pedro Castro e Almeida
como Chief Risk Officer do Grupo Santander, com efeitos a partir do dia 1 de março próximo, estão em curso os procedimentos para a nomeação de Isabel Guerreiro para Presidente da Comissão Executiva do Banco, igualmente com efeitos a partir da mesma data”, lê-se no comunicado.

O banco by Pedro Castro e Almeida

Pedro Castro e Almeida assumiu em 2019 a liderança executiva do Banco Santander Portugal, sucedendo a António Vieira Monteiro e mantendo-se no cargo até 2025.

Em 2019 o Santander Totta alcançou lucros históricos, superando os 480 milhões de euros. Ao longo do seu mandato, o banco protagonizou diversas notícias positivas no panorama português – desde resultados financeiros recorde e iniciativas inovadoras, até reconhecimentos internacionais e medidas de impacto social.

Sob a nova gestão, o Santander introduziu em março de 2019 o conceito inovador de Work Café – uma combinação de coworking, Enquanto teve sempre a visão de posicionar o Santander como “um banco digital com balcões”, ou seja, uma instituição fortemente digital mas com presença física de proximidade. Durante o mandato de Pedro Castro e Almeida, a inovação e digitalização foram assumidas como prioridades.

“Pedro Castro e Almeida foi apelidado de banqueiro católico”

Aquele que foi apelidado de banqueiro católico, em 2020, foi chamado a participar na chamada da banca à resposta à pandemia de Covid 19, onde as moratórias de crédito complementares às moratórias legais decididas pelo Governo, foram a sua expressão mais significativa.

Paralelamente o banco não efetuou layoffs durante a crise, mantendo mesmo os trabalhadores temporários e estagiários, e antecipou parte do
subsídio de Natal para apoiar os funcionários.

Em 2021, com a economia a iniciar recuperação, o Santander Totta registou lucros de 298,2 milhões (ligeira subida de 0,9% face a 2020.

A pandemia foi o trigger para uma reestruturação levada a cabo pelo Santander Totta. Em 2021 avançam com implementação de um profundo processo de reestruturação. Uma transformação que se refletiu num enxugamento da estrutura: ao longo do ano, o banco concluiu um plano de eficiência que reduziu 1.175 colaboradores e encerrou 79 balcões redundantes (com custos de reestruturação de 165 milhões). Um processo que mereceu a crítica dos sindicatos.

Mas apesar dessas saídas, o Santander Totta conseguiu reforçar quotas de mercado em áreas-chave – no final de 2021, detinha cerca de 23%
das novas operações de crédito PME e 21% das de crédito habitação . O banco também continuou a investir na digitalização e na oferta de canais remotos, preparando-se para o futuro pós-pandemia.

Em 2022, beneficiando da retoma económica e da subida das taxas de juro, o Santander Portugal atingiu resultados expressivos. O lucro recorrente quase duplicou (+90%), ascendendo a 568,5 milhões de euros – o valor anual mais alto de sempre do banco. Mas a geopolítica começa a ganhar protagonismo com o conflito Rússia/Ucrânia.

O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022, gerou um choque inflacionista global sem precedentes em décadas, impulsionado principalmente pelas sanções da Europa Ocidental que levaram à interrupção de cadeias de suprimentos e à subida dos custos de energia e dos alimentos.

Para responder à subida da inflação o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas de juro pela primeira vez em 11 anos em 2022.
A decisão histórica ocorreu em 21 de julho de 2022, com um aumento de 50 pontos base (0,5 ponto percentual), elevando a taxa de depósitos de -0,5% para 0%.

Banca foi à boleia da subida dos juros para travar a inflação

A banca ficou a ganhar em rentabilidade, já que a receita da margem financeira atingiu um pico.  “Os bancos estiveram 15 anos com lucros abaixo do custo de capital”, disse Pedro Castro e Almeida sobre os resultados de 2022, naquele que seria provavelmente “o primeiro ano em que […] a rentabilidade sobre o capital é superior ao custo do capital”.

Com o ROE do Santander Portugal a subir para cerca de 12%, o CEO considerou esses retornos justificados: “Se o custo do capital é 10% e a rentabilidade é 11% ou 12%, isso não me parece excessivo”, afirmou, acrescentando que “ter lucro é bom para a economia, para a sociedade e para quem trabalha nas empresas.

Sob a sua liderança, o Santander Portugal manteve uma política prudente de provisões e crédito.

Em setembro de 2023, Pedro Castro e Almeida assumiu funções adicionais no Grupo Santander ao ser nomeado Regional Head of Europe (responsável pelas operações europeias do grupo) – cargo antes ocupado por António Simões. Esse convite refletiu o crescente protagonismo internacional do banqueiro português.

Ana Botín (presidente do grupo) incumbiu-o de co-liderar a equipa responsável por integrar o banco britânico TSB (adquirido ao Sabadell por cerca de 3,1 mil milhões de euros) na estrutura do Santander. Esta missão foi atribuída devido à “profunda experiência em integrações bancárias e migrações tecnológicas” de Pedro Castro e Almeida, comprovada pelas bem-sucedidas incorporações do Banif (2015) e do Banco Popular (2018) em Portugal.

Na altura  e antecipando críticas à disponibilidade para gerir o banco em Portugal, Pedro Castro e Almeida diz que apesar das novas responsabilidades fora do país, garantiu que “a responsabilidade e a dedicação ao Santander Portugal mantêm-se exatamente iguais”, admitindo apenas que “o que ficou prejudicado foi provavelmente as horas que dedicava à família” .

Enfatizou que o sucesso da operação portuguesa naturalmente leva a que quadros nacionais sejam chamados a projetos globais, o que considera “uma nota muito positiva” para Portugal.

Esta ascensão de Pedro Castro e Almeida insere-se numa tradição de gestores portugueses do Santander que que têm subido no grupo, evidenciando o reconhecimento da casa-mãe pelo trabalho desenvolvido em Portugal.

No fim do ano 2023, era atingido o pico da margem financeira dos bancos, que ocorreu, de forma geral, entre o final de 2023 e o primeiro trimestre (março) de 2024.

“O exercício de 2023 acabaria por se saldar como o melhor de sempre do Santander em Portugal”

O exercício de 2023 acabaria por se saldar como o melhor de sempre do Santander em Portugal, com o lucro anual de  894,6 milhões de euros (um crescimento de cerca de 58% face a 2022).

Apesar da queda anunciada dos juros, o Santander Portugal registou lucros significativos em 2024, com 990 milhões de euros no ano completo, um aumento de 10,7% face a 2023.

O setor prevê agora que os lucros recorrentes sejam menores em 2025 e 2026, à medida que a margem financeira continua a ajustar-se ao novo contexto de juros mais baixos.

Nos bastidores, 2024 foi também um ano de preparação para mudanças na gestão de topo. Já se encontrava delineado um plano de sucessão
no Santander Portugal, dado o crescendo de responsabilidades internacionais do CEO. Embora não tivesse sido ainda anunciado publicamente, Pedro Castro e Almeida começou a preparar a transição da liderança executiva do banco, trabalhando de perto com Isabel Guerreiro (vice-presidente executiva) que, por sua experiência em transformação digital e banca de retalho, despontava como sucessora natural . Esta continuidade planeada visou assegurar que, independentemente da saída futura do CEO, o banco manteria a sua estratégia e cultura de sucesso.

Em 2025, o Santander Portugal colheu os frutos de anos de crescimento sustentado, alcançando níveis recorde de rentabilidade. Apesar de
uma ligeira contração na margem financeira durante o ano, o foco na eficiência e negócio de comissões permitiu melhorar significativamente o retorno sobre o capital.

Chegados a 2026, o Santander Totta tem agora um novo rumo marcado pela sucessão (planeada há vários meses) de Pedro Castro e Almeida e que faz de Isabel Guerreiro a primeira mulher CEO de um grande banco em Portugal,

A transição de funções deverá ocorrer no início de 2026, garantindo continuidade estratégica após um mandato de sete anos pautado por crescimento e inovação. Sob Pedro Castro e Almeida, o Santander Portugal “destacou-se nos últimos largos anos pelo forte crescimento e pelos bons resultados”, nas palavras da própria Ana Botín , e sai agora reforçado para a próxima fase.

Que banco deixa Pedro Castro e Almeida?

Sob a sua batuta o Santander reforçou o seu papel como banco parceiro das pequenas e médias empresas – nomeadamente, através da disponibilização de cerca de 980 milhões de euros em linhas de financiamento em protocolo com o Banco Europeu de Investimento – e como referência dos portugueses para o apoio na compra de habitação.

Hoje, um em cada cinco empréstimos à habitação em Portugal é concedido pelo Santander, que se afirmou como o banco com a maior quota de mercado no regime de garantia pública para jovens, com 259 milhões de euros em garantias. Só no ano passado, o Santander apoiou 37 000 famílias a adquirir habitação, apoiando 9.100 pedidos de financiamento num valor total de 500 milhões de euros.

“O legado que deixa inclui um banco mais rentável, digital e próximo da comunidade – uma história de sucesso amplamente reconhecida no panorama português”, segundo fontes do banco.

Crescimento do crédito, digitalização (80 % das operações online), e robustez de capital é o legado de Pedro Castro e Almeida.

“Este trabalho que eu tenho hoje em dia, como CEO do banco, é o melhor trabalho que eu tive e tenho certeza que é o melhor trabalho que eu vou ter. Porque tenho uma grande proximidade com as pessoas em Portugal, tenho um impacto muito direto de proximidade com os clientes e tenho um impacto na comunidade onde eu sempre vivi”, disse em novembro Pedro Castro e Almeida, acrescentando que “estou aberto a desafios futuros”.

“O nosso futuro por vezes passa por caminhos que tentámos evitar”, confessou o banqueiro português.

(atualizada com comunicado oficial do Santander Totta)

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