É necessário começar por salientar que o crescimento em 2025 acabou por se revelar melhor do que o temido, face às disrupções trazidas por Trump, sobretudo com as tarifas, com o seu impacto directo e os efeitos negativos da incerteza que decorreu do longo período até ao seu esclarecimento.
As economias europeias revelaram uma notável resiliência, enquanto os EUA tiveram a sorte de assistir a uma explosão do investimento em IA, que mascarou o efeito recessivo de várias das novas políticas (tarifas, repressão musculada da imigração, ataque à independência da Reserva Federal, “shutdown” da administração pública, etc.).
A perspectiva central para os EUA e a UE é a de um ligeiro abrandamento da actividade em 2026, mantendo-se próximo da tendência, pelo que seria um ano “normal”. O problema principal são os riscos face a esta cenário de referência. Um dos mais significativos vem exactamente da IA, que tem ajudado duplamente a economia americana, quer pelo forte investimento em centros de dados, fornecimento de electricidade e processadores, quer pelas subidas da bolsa das empresas especializadas nesta tecnologia, o que, por seu turno, tem feito com que os consumidores se sintam mais ricos e gastem mais.
A IA pode ser muito promissora, mas é também uma extraordinária incógnita. Será este tipo de IA que irá vingar? Será com estas empresas? Será a este ritmo? Haverá capacidade de aumentar o fornecimento de energia à escala necessária? E um longuíssimo etc. Têm-se multiplicado os avisos de que estaremos perante uma bolha especulativa centrada na IA. Assistiremos a um crash bolsista em 2026? Não sabemos, mas, se acontecer, terá impactos económicos muito mais profundos do que o rebentar da bolha dotcom, em 2000, porque a economia dos EUA está hoje muito mais dependente da IA do que estava do investimento na internet no final dos anos 90.
Para além dos riscos económicos, há também as incertezas geopolíticas, que se vêm prolongando. No entanto, também aqui o seu impacto tem sido bastante menor do que chegou a ser receado.
Em termos nacionais, começaremos o ano com as eleições presidenciais, cuja principal incógnita será se vamos ter um PR que promova a criação de consensos reformistas e estabilidade governativa num parlamento fragmentado, ou se vai permitir que esta fragmentação se transforme numa instabilidade paralisante que desprestigia a democracia e alimenta os extremos.
Em termos económicos, até existe a expectativa consensual na generalidade das instituições de que 2026 será de crescimento um pouco superior ao do ano que finda. Seria mais um ano a repetir o resultado pouco estimulante dos últimos anos, com um desempenho não especialmente bom, mas sobretudo com fraca qualidade, demasiado baseado na criação do emprego e com resultados muito fracos no aumento da produtividade. Será que é no próximo ano que iremos assistir a resultados palpáveis da anunciada reforma do Estado? Os licenciamentos do investimento vão mesmo acelerar? A produtividade vai finalmente melhorar?



