Donald Trump desfez em 2025 a velha ordem internacional liberal que tinha sido criada e liderada pelos Estados Unidos da América (EUA). Em 2026, os contornos da nova ordem impulsionada por Trump tornar-se-ão claros em três dimensões:

(1) no futuro das democracias liberais ocidentais, com a ameaça de populismos europeus ao estilo MAGA – com o Rassemblement National em França, a AfD na Alemanha, o Reform Uk no Reino Unido – e com as eleições americanas em novembro, onde veremos se o poder de Trump e do movimento MAGA se consolida;

(2) na geopolítica veremos se a postura transacional de Trump evoluirá para uma abordagem híbrida em três dimensões: acordos de paz no mundo (designadamente em Gaza e na Ucrânia); intervencionismo musculado no quintal americano, ressuscitando a doutrina Monroe (nomeadamente na América Latina, como vimos agora com a intervenção na Venezuela); acordos oportunísticos nas cadeias de abastecimento que asseguram os metais críticos, como o que Trump fez com a Ucrânia – e que poderá fazer com a China, levando ao enfraquecimento do apoio americano a Taiwan;

(3) na economia veremos se haverá correções nos mercados bolsistas e se existe uma bolha criada pela Inteligência Artificial (IA); qual o impacto das tarifas de Trump nos consumidores e nas empresas nos EUA; se há sustentabilidade nos défices americanos e se Trump consegue controlar o Banco Central Americano, acabando com a sua independência.

A nível mundial continuará a reconfiguração das cadeias de abastecimento, evitando as empresas ocidentais a dependência excessiva de geografias políticas que não controlam, como foi o caso da China, tentando uma diversificação geográfica que combine eficiência com resiliência.

A União Europeia vai enfrentar desafios cruciais, entalada entre as duas grandes potências, China e EUA.

Assistir-se-á também a um maior realismo da política climática europeia, confrontada com o desafio de conciliar a competitividade empresarial com a política climática, como já aconteceu com a reversão da proibição de venda de carros com motores térmicos em 2035, numa indústria automóvel europeia responsável por 7% do PIB comunitário e que empregava 13 milhões de trabalhadores.

Em Portugal, o nosso crescimento em 2026 poderá ser ligeiramente melhor do que em 2025, a dívida pública deverá ficar abaixo da média da zona euro. Veremos ainda se continuaremos a ter saldos orçamentais e esperamos o lançamento de reformas estruturais que aumentem o nosso PIB potencial.