Petróleo afunda bolsas europeias. PSI 20 não escapa a ‘maré vermelha’

O PSI 20 não escapa a tendência negativa europeia, penalizada pela subida dos preços do petróleo, causada pela escassez de produto devido ao ataque às instalações sauditas. Mas os títulos da Galp sobem mais de 2,5%.

Início de semana turbulento nas principais praças europeias, arrastadas pela subida do preço do petróleo depois do ataque levado a cabo pelos Houthis às instalações petrolíferas sauditas que viram a sua produção cair de 9,8 milhões barris por dia para 4,1 milhões, o que representa uma quebra de 5% da oferta de “ouro negro” a nível mundial.

Na abertura dos mercados, o barril de Brent chegou a subir 12 dólares para 71,95 dólares, caindo para 66,75 dólares durante a tarde da sessão asiática desta segunda-feira. O West Texas Intermediate, a referência para o mercado norte-americano, teve um desempenho similar, subindo cerca de 16% para 63,34 dólares, recuando depois para 60,64 dólares.

Às 9h00, horas portuguesas, o “ouro negro” a tendência de subida permanece. O Brent negoceia nos 65,70 dólares, o que representa uma subida de 9,10%, enquanto o West Texas Intermediate sobe 7,81%, para 59,08 dólares.

A Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, já disse que a reposição dos stocks de produção poderá durar semanas. De forma a acalmar o sentimento do mercado, as autoridades sauditas, como os Estados Unidos, já se mostraram disponíveis para utilizar as reservas para responder à escassez de produto, em caso de necessidade.

A situação tem pesado no sentimento do mercado. O índice pan-europeu EuroStoxx 50 caía 50% por volta das 08h50, espelhando a tendência europeia. Em Espanha, o Ibex 35 recuava 0,57%, na Alemanha o Dax perdia 0,59%, em França o Cac 40 desvalorizava 0,68% e, em Inglaterra, o FTSE 100 cedia 0,24%.

Em Lisboa, o PSI 20, o principal índice nacional, recuava 0,11% para 5,043.18 pontos, com seis subidas, dez descidas e dois títulos inalterados (F. Ramada e Semapa).

A Galp lidera as subidas, ao subir 2,77%, para 13,53 euros, seguindo-se os CTT (+1,37%) e a Pharol (+1,55%). Nas descidas, destaque para queda da Sonae Capital, que perde 1,38%, para 0,64 euros. A Corticeira Amorim recua 1,19%, para 10,00 euros e a EDP Renováveis cede 1,20% para 9,88 euros. Os títulos do Millennium bcp também acompanham a tendência negativa ao perderem 0,84% para 0,21 euros.

Na frente macro-económica, foram divulgados alguns indicadores económicos chineses, sinalizando que a economia chinesa segue em desaleceração. Em agosto, a produção industrial registou um crescimento homólogo de 4,4%, abaixo das estimativas, que apontavam para uma subida 5,2%. Segundo os analistas do BiG – Banco de Investimento Global, trata-se da menor subida desde 2002. No comércio, as vendas a retalho no mercado chinês subiram 7,5%, em termos homólogos, mas também abaixo das estimativas (7,9%).

Na Europa, o governo francês reviu em baixa a estimativa de crescimento para a economia em 2020, de 1,4% para 1,3%. Na Alemanha, Johannes Kars, porta-voz para a política orçamental, revelou que os custos para a redução de emissões de CO2 deverão custar entre quatro a cinco mil milhões de euros por ano, aumentando depois de forma progressiva.

No Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson mostrou-se otimista antes das negociações com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Boris Johnson continua a acreditar ser possível alcançar um acordo para a saída ordenada do Reino Unido da União Europeia, o que evitaria o hard Brexit.

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