Petróleo em mínimos de 18 anos leva o Kremlin a declarar que “está muito barato”

Com os futuros do Brent e do WTI a serem negociados, respectivamente, a 26,24 e 23,08 dólares por barril, a Rússia dá indicações – pela primeira vez na crise do Covid-19 – de que chegou ao limite da sua tolerância à descida dos preços do ouro negro.

A cotação do petróleo recuou para mínimos de 18 anos, negociando esta quinta-feira, 19 de março, os futuros de Brent em torno dos 26,24 dólares por barril, enquanto o seu índice congénere norte-americano WTI rondou os 23,08 dólares, às 10h15 de Lisboa. Estes baixos preços do petróleo geraram pela primeira vez uma reação negativa por parte dos responsáveis do Kremlin, levando o seu porta-voz, Dmitry Peskov – segundo a agência Bloomberg – a declarar publicamente que “o petróleo está muito barato”. Por isso, Peskov admitiu que a Rússia “gostaria de ver as cotações do petróleo a subir”.

Sendo um dos principais produtores de petróleo a nível mundial, a Rússia manifesta pela primeira vez durante a crise do Covid-19 que a sua tolerância à descida dos preços do petróleo chegou ao limite, sinalizando esse entendimento com uma comunicação formal do Kremlin aos mercados internacionais.

No entanto, como a estratégia da Arábia Saudita é mantida no sentido de “inundar” os mercados petrolíferos com o seu petróleo, indiferente às descidas de preços, os analistas de referência neste mercado gigantesco começam a trabalhar com cenários de cotações do petróleo que descem a um dígito no mês de junho.

O mercado de Nova Iorque já está a trabalhar claramente abaixo do patamar dos 25 dólares por barril, negociando os futuros do WTI quase nos 23 dólares por barril, como está a acontecer esta manhã.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), parece estar atualmente mais concentrada numa corrida à conquista de quotas de mercado, produzindo petróleo aos níveis mais elevados de capacidade de débito, para venderem elevadas quantidades a preços muito baixos. Neste enquadramento, a Rússia dificilmente conseguirá avançar no seu projeto de investimento na extração de petróleo no Ártico, que se torna inviável com as cotações internacionais a aproximarem-se rapidamente dos 20 dólares por barril.

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