PIB português contrai 2,4% no primeiro trimestre de 2020, já por influência da Covid-19

De acordo com o gabinete de estatística português, a queda homóloga é a maior desde o primeiro trimestre de 2013 (-3,6%), aquando a intervenção da troika.

Cristina Bernardo

O produto interno bruto (PIB) português contraiu 2,4%, em termos homólogos, no primeiro trimestre de 2020, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativa às contas nacionais trimestrais, divulgadas esta sexta-feira, 15 de maio. Os dados indicam que o ritmo de evolução da economia nacional foi já influenciado pela pandemia da Covid-19. Relativamente ao trimestre anterior, a quebra foi de 3,9%.

“O PIB, em termos homólogos, diminuiu 2,4% em volume no primeiro trimestre de 2020, após o aumento de 2,2% no trimestre anterior”, indica o INE.

De acordo com o gabinete de estatística português, a queda homóloga é a maior desde o primeiro trimestre de 2013 (-3,6%), aquando a intervenção da troika (Fundo Monetário Internacional; Comissão Europeia; Banco Central Europeu). Já numa análise dos dados em cadeia (do quarto trimestre para o primeiro trimestre), trata-se da maior contração da economia nacional desde 1995, pelo menos, ano em que começa a série de análise do INE.

Os dados relativos ao PIB nacional espelham já um impacto da pandemia da Covid-19. “A contração da atividade económica reflete o impacto da pandemia Covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre [março]“, lê-se no documento do INE.

O organismo salienta, ainda, que a influência da pandemia teve um contributo negativo na economia portuguesa, tanto da procura externa (exportações) como da procura interna (consumo). Assim, registou-se um contributo negativo de 1,4 pontos percentuais por parte das exportações, enquanto o consumo contribuiu negativamente com um ponto perecentual.

A quebra da procura interna, diz o INE, está associada “à diminuição do consumo privado e do investimento”. É a primeira vez que o consumo está em níveis negativos, desde o terceiro trimestre de 2013.

Quanto às exportações, o gabinete de estatística português aponta uma queda das exportações de 5,1%, enquanto as importações registaram uma redução de apenas 1,8%.

Os dados de hoje do INE comparam com a informação divulgada pelo Eurostat, também esta sexta-feira. De acordo com o Eurostat, a economia da zona euro recuou no primeiro trimestre do ano 3,2% em termos homólogos e 3,8% em cadeia. Tratam-se das maiores quebras desde 1995 e 2009, respetivamente, segundo uma estimativa do gabinete de estatística europeu. Na União Europeia, o PIB diminuiu 2,6% na comparação homóloga e 3,3% na comparação com o quarto trimestre de 2019.

A próxima nota do INE relativa às contas do PIB está prevista para 29 de maio. O INE ressalvou, contudo, que poderá haver revisões significativas nos próximos documentos, tendo em conta o momento complexo que a economia vive, devido ao impacto da Covid-19 no país.

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