Pinça esquecida em doente dá origem a indemnização 25 anos depois

O paciente viveu seis anos com uma pinça no abdómen. Apesar de se queixar de dores, só seis anos depois é que foi realizada uma radiografia. Na cirurgia de remoção da pinça realizada pelo mesmo médico que se tinha esquecido deste instrumento, uma grave hemorragia provou ser fatal.

O Estado português vai indemnizar a família de um doente que morreu em 1994, revela o Jornal de Notícias esta sexta-feira, 6 de dezembro. António Silva vai receber 32.500 euros do Estado depois do seu pai ter morrido no hospital de São João no Porto em 1994.

A morte teve lugar durante uma cirurgia para retirar uma pinça esquecida pelo médico no seu abdómen durante seis anos. O caso começa em 1988 quando o pai de António Silva foi submetido a uma cirurgia no hospital de São João para extrair o rim esquerdo.

A recuperação do paciente então com 63 anos teve lugar conforme planeado, mas ficou sempre a queixar-se de um mal estar na zona da barriga. O pai de António Silva teve de aguentar a dor durante seis anos, incluindo duas idas à urgência do Hospital de Santo António.

Só em 1994 é que o doente foi submetido a uma radiografia. Identificada a pinça abandonada no abdómen, o home foi submetido no dia seguinte a uma cirurgia, realizada pelo mesmo médico que se tinha esquecido da pinça seis anos antes. No entanto, uma grave hemorragia foi fatal para o doente.

Segundo conta o Jornal de Notícias, a família deu então início a uma processo judicial, a viúva morreu antes do longo processo ter chegado ao fim. Apesar de os magistrados nos tribunais de primeira instância e da Relação do Porto terem dado razão à família, após recursos o caso chegou ao Supremo Tribunal Administrativo. Os juízes mandaram repetir o julgamento por considerarem que existiam falhas no processo, com o caso a voltar à estaca zero.

Um dos médicos arrolados como testemunha mudou a versão apresentada no primeiro julgamento, o que contribuiu para que o médico que abandonou a pinça, assim como o hospital São João, fosse absolvidos de qualquer crime.

O caso acabou por chegar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) em 2016. Esta semana, 25 anos depois da morte do paciente, ficou a saber-se que a família iria ter direito a ser indemnizada, depois de negociações entre a família e representantes do Estado.

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