A Ryanair acusou esta semana o Governo de travar o crescimento da Portela para proteger a TAP e o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz já reagiu no Instagram, dizendo “não apreciamos intimidação nem inverdades. Preferimos factos”.
Recorde-se que o presidente executivo da Ryanair acusou, esta quarta-feira, o Governo português de limitar o crescimento do aeroporto de Lisboa para proteger a TAP e alertou que a fiscalidade ambiental europeia torna deficitárias as rotas para os Açores.
Miguel Pinto Luz diz que “Lisboa não está artificialmente limitada” e que o Aeroporto Humberto Delgado ultrapassou os 36 milhões de passageiros em 2025, acima do limite que a própria Ryanair aponta. “Não há bloqueio político, há uma infraestrutura urbana a operar no seu máximo”, diz o Ministro que acrescenta que “há ação concreta, foi aprovado um plano de expansão que permitirá alcançar 40 a 45 milhões de passageiros”.
Segundo a Lusa, Michael O’Leary considera que o executivo está a travar “artificialmente” a expansão do aeroporto da Portela para proteger a TAP, defendendo que Lisboa poderia aumentar de imediato a sua capacidade sem novas infraestruturas.
“Lisboa poderia facilmente crescer hoje para 35 milhões de passageiros, basta dizer que a capacidade do terminal é aumentada”, afirmou Michael O’Leary, numa conferência de imprensa em Lisboa.
“O constrangimento não está na pista, mas em decisões políticas”, aponta o CEO da Ryanair que acrescentou que “temos uma pista em Lisboa e dizem que está cheia com 25 milhões de passageiros. Há uma pista em Gatwick e ainda assim há 65 milhões de passageiros e confusão. Portanto, não é uma questão de pista. Seria possível aumentar facilmente o tamanho do Terminal 2 na Portela”.
Na resposta Miguel Pinto Luz escreve que “Gatwick não tem 65 milhões de passageiros e dispõe de condições operacionais muito distintas”.
“Também tem em curso um plano de expansão que inclui a construção de uma nova pista, um processo que demorará tanto tempo a concretizar como o novo aeroporto de Lisboa” acrescenta o Ministro defendendo que “comparar números brutos (e errados) sem contexto operacional é, no mínimo impreciso”.
Michael O’Leary afirmou que o Governo está “obcecado em proteger e cuidar da TAP”, acrescentando que só após a privatização da companhia aérea será possível libertar capacidade.
“Quando a TAP for vendida, então pode aumentar a capacidade do terminal de Lisboa e permitir-nos ter mais voos”, afirmou.
Miguel Pinto Luz lembra que “a atribuição de slots segue estritamente a regulamentação europeia, e a TAP e Ryanair operam exatamente nas mesmas condições”.
O CEO da Ryanair defendeu também a expansão do Terminal 2 e a abertura do Montijo, classificando o processo como um bloqueio prolongado, segundo a Lusa.
“O Montijo é uma vergonha nacional”, afirmou citado pela agência, sublinhando que “todas as outras capitais da Europa matariam por ter um segundo aeroporto assim no meio da cidade”.
“Sim, é preciso construir um terminal, mas isso é bastante barato e tem a ponte do lado direito que leva diretamente ao centro de Lisboa”, apontou, referindo-se à ponte Vasco da Gama. “A capacidade no Montijo pode ser aumentada com uma caneta”, reforçou.
Na resposta o governante reafirmou que “o novo aeroporto será construído no Campo de Tiro de Alcochete, em Benavente” e que “o Montijo é uma base aérea militar e não avançou razões ambientais e de ordenamento do território”.
“Conhecemos bem os impactos negativos de ter um aeroporto no centro da cidade e escolhemos corrigir, não agravar, o problema, com respeito pelas populações e ambiente”, acrescenta Pinto Luz.
Na mesma conferência de imprensa, o responsável alertou ainda para o impacto da fiscalidade ambiental europeia nas ligações aéreas aos Açores, considerando que as rotas se tornaram economicamente inviáveis.
“Uma família de quatro pessoas a viver em Lisboa que queira ir passar um fim de semana aos Açores paga 96 euros em impostos ETS [Sistema de Comércio de Emissões de gases de efeito estufa da UE]”, disse, acrescentando que voos para destinos fora da União Europeia, como Marrocos, estão isentos.
Pinto Luz reage dizendo que “nos Açores a taxa de rota é a mais baixa da Europa e as taxas aeroportuárias mantêm-se competitivas”.
O Ministro conclui dizendo que “Portugal é um país aberto à concorrência e investimento, mas exige respeito, verdade e seriedade”, lembrando que “a governação vive de factos, planeamento e resultados”.
(atualizada)
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