PISA: Portugal vai entrar nos estudos da OCDE sobre literacia financeira

“Na economia dos dias de hoje, a literacia financeira é como saber ler ou escrever”, disse Annamaria Lusardi, presidente do International Network on Financial Education’s Research Committee, da OECD.

Portugal vai participar no PISA (Programme for International Student Assessment) sobre a avaliação da literacia financeira, em 2021, segundo anunciou esta terça-feira, 25 de setembro, o secretário de Estado da Educação, João Costa, na Conferência sobre Supervisão Comportamental Bancária: novos desafios dez anos depois da crise financeira.

“Capacitar para a literacia financeira é capacitar para os direitos humanos”, afirmou João Costa, numa intervenção sobre a importância da formação financeira dos jovens, em que defendeu o reforço do ensino para a cidadania e apresentou um novo Caderno de Educação Financeira, no quadro do Plano Nacional de Formação Financeira, dirigido a alunos do terceiro ciclo do ensino básico.

O secretário de Estado anunciou ainda que Portugal irá fazer parte do PISA sobre a avaliação da literacia financeira da OCDE, que se irá realizar em 2021.

“Vou concordar com o governante, na economia dos dias de hoje, a literacia financeira é como saber ler ou escrever”, disse Annamaria Lusardi, presidente do International Network on Financial Education’s Research Committee, da OECD, no mesmo evento.

Lusardi apontou para o último estudo do género (realizado em 2015 com 15 países diferentes) e explicou que, nos Estados Unidos, apenas um terço da população com mais de 35 anos era capaz de responder corretamente a três questões sobre literacia financeira, “apesar de muitas das decisões financeira serem tomadas antes dessa idade”, sublinhou.

“Isto prova porque é que precisamos de educação financeira nas escolas”, acrescentou Lusardi, sublinhando os contributos de Portugal para o avanço da literacia financeira.

As escolas General Serpa Pinto de Cinfães, cujo projeto de literária financeira foi apresentado pelo presidente do agrupamento Manuel Pereira, são disso exemplo já que a educação financeira é uma prioridade do agrupamento

Além de já terem adotado os Cadernos de Educação Financeira para os 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, o agrupamento tem dinamizado atividades no sentido de ensinar aos alunos questões como o valor do dinheiro como resultado do trabalho ou gestão do orçamento. Até o desfile de carnaval dos alunos foi subordinado ao tema da poupança, no ano passado.

O agrupamento foi distinguido pela direção-geral da Educação na sexta edição do concurso “Todos Contam”, que premeia os melhores projetos de educação financeira a implementar nas escolas.

“É um projeto que se tem vindo a desenvolver ao longo de anos a partir da necessidade dos professores e da escola – e depois alargado às próprias famílias”, afirmou Isabel Alçada, presidente do júri do concurso “Todos Contam” e consultora para a educação do Presidente da República, sublinhando que o objetivo é que haja uma “adesão progressiva” da educação para a literacia financeira.

Este ano, o objetivo do concurso é que as escolas não pensem somente em atividades isoladas, mas que entrassem em diálogo sobre a formação financeira.

“Pediu-se às escolas que elaborassem projetos fundamentados, sustentados, interessantes para os alunos. É isso que tem acontecido ao longo destes sete anos por todo o país”, afirmou Isabel Alçada”, sublinhando que, “cada vez mais”, estes projetos recorrerem a recursos tecnológicos. “Se queremos que a educação financeira possa chegar diretamente aos mais novos, é indispensável que disponibilizemos recursos que estejam à mão de semear”, acrescentou.

Ler mais

Recomendadas

DCIAP vai analisar auditoria ao Novo Banco

A auditoria da Deloitte aos atos de gestão do BES/Novo Banco entre 2000 e 2018, classificada como confidencial, já está na PGR. O Governo justificou o envio do relatório devido às matérias em causa no período abrangido que coincide com aquele a que respeitam processos criminais e à necessidade de salvaguardar os interesses financeiros do Estado. Documento seguiu para o DCIAP com vista a “análise e sequência”, diz PGR.

Venda da Tranquilidade passou pelo crivo da Deloitte

A venda da Tranquilidade fechada em 2015 à Apollo, que depois a revendeu por um valor substancialmente mais elevado, faz parte da análise da Deloitte, que avaliou os atos de gestão do BES/Novo Banco entre 2000 e 2018.

BAD vai envolver-se mais nas políticas públicas dos estados africanos

“Deixem-me garantir que o banco vai desempenhar um papel maior nos diálogos de políticas públicas com os países, vamos apoiar a gestão sustentável da dívida pública, aumentar o crescimento ‘verde’ e acelerar a promoção de empregos para os jovens no continente”, disse Akinwumi Adesina.
Comentários