Plano de António Costa Silva visa portos, energia, digital e saúde

“Esta crise mostrou que o papel do Estado tem que ser mais valorizado, mais Estado na economia, o Estado é o último protetor contra todo o tipo de ameaças”, afirmou o gestor independente, que diz ser “favorável aos mercados”, convidado pelo primeiro-ministro para elaborar um plano de recuperação económica para o pós-pandemia Covid-19.

António Costa Silva foi convidado pelo primeiro-ministro para elaborar um plano de recuperação económica para o imediato, mas também médio e longo prazo depois da pandemia da Covid-19.

O presidente da petrolífera Partex, que estará de saída do cargo depois da empresa ter sido comprada por tailandeses, disse que foi convidado pelo primeiro-ministro a 24 de abril para elaborar um plano de recuperação económica para o país.

“Quando o primeiro-ministro me convidou, não o conhecia, telefonou-me no dia 24 de abril, convidou-me para ir almoçar no Palácio de São Bento. Lançou me um desafio, um plano para o day after [o pós-pandemia], o que o país precisa de fazer. Eu no dia 25 de abril pensei, escrevi mais ou menos o plano na cabeça e depois nos dias seguintes pus em papel”, disse o gestor em entrevista à RTP este domingo.

“Há um primeiro draft, que tem os eixos estratégicos que eu acho que é muito importante discutir: primeiro, com os recursos financeiros que existirem, apostar nas infraestruturas físicas do país, modernizá-las todas, qualificar a rede viária, intervir muito no sistema de portos que é fundamental alavancar as exportações do pais, toda a rede portuária, construir um hub portuário, que tem sido desenvolvido um trabalho extraordinário nos portos, mas é muito importante infraestruturas portuárias, plataformas logísticas, ampliações de cais, que sejam uma aposta clara deste Governo”, revelou António Costa Silva.

O seu plano visa também “todas as infraestruturas que tem a ver com a energia e com o ambiente, nomeadamente a rede elétrica nacional, gestão da água, os recursos aquíferos, e sistema de distribuição da água, que é um recurso fundamental para o futuro”.

O segundo eixo deste plano “são as infraestruturas digitais que a crise revelou para acelerar a transição digital. Vimos em relação as escolas que o pais é muito desigual, as escolas não estavam equipadas, não tinham competências, assim é preciso estender a fibra ótica a todo o território nacional, e depois treinar a administração publica, escolas, universidades, centros de investigação, para que haja uma galáxia de pequenos projetos que permitam aumentar a qualificação, e as competências digitais”.

Em terceiro, o plano passa por criar um “grande programa para as pequenas e medias empresas, que são mais de 95% do nosso tecido empresarial, aumentar as suas competências digitais vai ter um impacto brutal na economia e vai forçar um certo desenvolvimento”, segundo disse António Costa Silva na entrevista à RTP.

O plano tem uma perspetiva para a “próxima década, vamos ter fundos que vão vir daqui a três, quatro anos e depois sete anos”.

O gestor também defendeu maior investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Um dos investimentos emblemáticos tem de ser no SNS. Vimos a qualidade das nossas instituições nesta resposta, desde o SNS, DGS, Governo, Parlamento, Presidente. A qualidade das instituições, é a qualidade da resposta. Temos de qualificar mais o SNS, apostar em equipamentos, em recursos humanos, e todo o sistema de ciências de saúde que existe em Portugal: é uma galáxia que existe, que já respondeu em termos de aplicações cientificas e de equipamentos”.

No prazo mais imediato, o plano tem como objetivo “salvar a economia e proteger o emprego, uma intervenção forte do Estado. Esta crise mostrou que o papel do Estado tem que ser mais valorizado, mais Estado na economia, o Estado é o último protetor contra todo o tipo de ameaças, está-se a ver. Aí também há uma discussão e um debate sobre o equilíbrio que tem que existir entre Estado e mercado. Eu sou favorável aos mercados, que têm de funcionar, o papel fundamental nesta recuperação é das empresas, elas criam riqueza”.

Ler mais

Relacionadas

Primeiro-ministro confirma convite a António Costa e Silva para coordenar Programa de Recuperação Económica

“O professor António Costa e Silva foi convidado pelo primeiro-ministro para coordenar a preparação do Programa de Recuperação Económica”, referiu hoje o gabinete de António Costa, numa nota enviada à agência noticiosa nacional.

“Salvar as empresas e preservar o emprego”. Conheça as prioridades de António Costa Silva para recuperar a economia

O gestor, atualmente presidente da Partex, a quem o Primeiro Ministro pediu o plano de recuperação diz que tem de se evitar que a economia “entre em estado de coma”. António Costa Silva diz que o Estado vai ter de ser interventivo e que o novo modelo económico tem de estar assente no investimento nas infraestruturas (físicas e digitiais) e na reconversão industrial.
Recomendadas

PremiumQueda da população ativa pode impedir recuperação económica rápida

A taxa de desemprego desceu no segundo trimestre, mas o impacto da pandemia no turismo e o aumento da concorrência global na era do teletrabalho preocupam os especialistas consultados pelo JE.

Estigma com produtos da China e quebra de turistas deixam restaurantes chineses em crise

Os restaurantes chineses sofrem mais quebras no negócio do que os restaurantes nacionais devido ao estigma associado a produtos da China, país onde o novo coronavírus foi detetado pela primeira vez, e porque o turista asiático deixou de visitar Portugal.

Covid-19: Direção do consumidor emite quatro alertas no mesmo dia sobre máscaras

Quatro modelos de máscaras com insuficiente retenção de partículas no material filtrante foram na semana passada, num só dia, motivo de alertas da Direção-geral do Consumidor (DGC) e sistema europeu de alerta rápido para produtos não alimentares (Rapex).
Comentários