Ponte de Sor cria condições para manutenção de Boeing e Airbus

A construção de um grande hangar, capaz de acolher aviões comerciais de médio curso para realizar operações de manutenção é o próximo projeto que a Câmara de Ponte de Sor levará a concurso. O investimento será de 4 milhões. Criará 200 empregos.

REUTERS/Michael

Ponte de Sor prepara-se para arrancar com a terceira edição do certame Portugal Air Summit; tem uma das escolas de formação de pilotos de linha aérea mais procuradas na Europa, agora detida pela multinacional L3; e atraiu para a autarquia alentejana várias empresas industriais que agora produzem nesta zona interior, maioritariamente relacionadas com o setor aeronáutico, ou que utilizam a infraestrutura do aeródromo municipal.

O passo seguinte, segundo o presidente da Câmara Municipal, Hugo Hilário, é atrair novamente mais investimento e ampliar o Centro de Negócios do aeródromo municipal com três hangares, dois de dimensão normal e um efetivamente grande. “O hangar maior servirá para assegurar a manutenção de aviões de grande porte, com limite nos Boeing 737 ou nos Airbus A319”, explica Hugo Hilário.

“O concurso que vamos lançar para este hangar corresponde a um investimento de 4 milhões de euros e permitirá instalar uma empresa de manutenção aeronáutica que criará entre 150 e 200 postos de trabalho permanentes, altamente especializados”, refere o autarca.

“Avançámos com esta ideia porque sabemos que já havia duas empresas interessadas neste investimento, e isso mostra o potencial da atividade de manutenção aeronáutica na região de Ponte de Sor”, adianta Hugo Hilário, esclarecendo que a atividade de manutenção nada tem a ver com a normal atividade aeroportuária da aviação civil.

“Nunca nos passou pela cabeça poder competir com outras infraestruturas aeroportuárias, nem sermos alternativa a aeroportos como a futura pista do Montijo”, refere Hugo Hilário.

“Este hangar grande significa a criação de postos de trabalho técnicos qualificados permanentes e traduz a atração de riqueza para a autarquia, com fixação local de mais famílias e a vinda de novos investimentos, que é isso que pretendemos”, diz o presidente da câmara.

“Não andamos a concorrer com aeroportos, mas lutamos pela criação de postos de trabalho e pela fixação de atividades económicas relevantes”, diz Hugo Hilário, sem afastar a possibilidade do aeródromo municipal poder crescer daqui a 15 ou 20 anos, para um pito de pista diferente. “Mas ainda nem sabemos como será essa evolução, nem que tipo de voos poderemos passar a ter”, remata.

Por enquanto, o autarca diz que quer ter acesso aos fundos do Portugal2020 para investir mais em Ponte de Sor.

“Queremos ter mais seis ou sete empresas locais, para criarmos mais emprego e termos uma comunidade mais desenvolvida, o que é positivo, por isso avançámos com este projeto de expansão de mais três hangares, no valor de 9 milhões de euros”, refere Hugo Hilário. No aeródromo de Ponte de Sor já foram investidos até à data cerca de 30 milhões de euros. “Nota-se a diferença na qualidade de vida local”, comenta o autarca.

 

Artigo publicado na edição nº1990, de 24 de maio do Jornal Económico

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