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Portugal contraria tendência europeia: mercado do livro cresce 6,9% em 2025

Enquanto as grandes potências europeias registam quebras nas vendas, o setor livreiro em Portugal demonstra uma vitalidade invulgar, impulsionado pela diversidade editorial e pelo fenómeno dos bestsellers. O desempenho português ganha relevância quando comparado com o panorama internacional. Países com fortes tradições literárias enfrentaram quedas significativas.
13 Fevereiro 2026, 13h32

Num ano em que o “velho continente” parece ter lido menos, Portugal caminhou no sentido oposto. Em 2025, o mercado nacional do livro não só resistiu à pressão económica, como registou um crescimento sólido de 6,9% em unidades vendidas. Os dados, revelados pela consultora GfK Portugal,  revelam um cenário de excecionalidade face aos vizinhos europeus.

O desempenho português ganha relevância quando comparado com o panorama internacional. Países com fortes tradições literárias enfrentaram quedas significativas: França (-2,5%), Itália (-3,0%) e Reino Unido (-2,5%) fecharam o ano em queda. Até mesmo Espanha, que costuma ditar o ritmo da península, estagnou com um crescimento quase nulo de 0,2%.

Em contrapartida, Portugal atingiu os 217,5 milhões de euros em vendas, com cerca de 14,8 milhões de exemplares a chegarem às mãos dos leitores.

O que explica este fenómeno? Há vários fatores cruciais apontados pela consultora, começando pela verdadeira explosão da oferta editorial que se verificou recentemente. Nos últimos cinco anos, o número de títulos disponíveis no mercado cresceu 31%, totalizando agora 150 mil referências, sendo que só em 2025 chegaram às livrarias 15 mil novidades.

A par deste dinamismo, destaca-se a força dos novos leitores, com o segmento Infantil/Juvenil a assumir-se como o grande motor do setor ao representar 36,2% do total das vendas.

Finalmente, a manutenção de preços estáveis revelou-se fundamental, uma vez que o preço médio do livro subiu apenas 0,6% — um valor significativamente abaixo da inflação —, transformando a leitura num refúgio acessível para o orçamento das famílias portuguesas.

António Salvador, diretor-geral da GfK em Portugal, destaca a “maturidade e capacidade de adaptação” do mercado.

Segundo António Salvador, diretor-geral da GfK em Portugal, “estes resultados revelam um mercado que cresce num contexto europeu mais exigente, o que demonstra maturidade e capacidade de adaptação. Portugal destaca-se pela expansão da oferta editorial e pela consolidação de fenómenos de consumo que conjugam diversidade de títulos com concentração em obras de maior impacto. Esta dinâmica reflete um leitor atento às tendências internacionais, mas também um setor capaz de gerar e sustentar sucessos no mercado interno”.

Nota-se uma concentração crescente nos títulos de maior impacto: os 10 livros mais vendidos representaram 3,5% do mercado.

O top de vendas reflete uma mistura entre o sucesso global e o talento nacional. Autores como Freida McFadden (com o thriller A Criada) e Colleen Hoover continuam a dominar, muito graças ao impulso das comunidades digitais como o BookTok.

No entanto, os autores portugueses mantêm o seu terreno: José Rodrigues dos Santos (com O Sexto Sentido) e Pedro Chagas Freitas (com O Hospital das Alfaces) figuram entre os nomes mais procurados.

A GfK conclui que o mercado do livro em Portugal vive um momento de consolidação. Com leitores atentos às tendências globais e uma indústria capaz de renovar a sua oferta, o setor prova que, mesmo em tempos de incerteza, o livro físico mantém o seu estatuto insubstituível na cultura dos portugueses.


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