Este projeto pioneiro posicionou Portugal no mapa da inovação em tecnologias de energia renovável. No entanto, quando comparado com outros países europeus, Portugal ainda está em fase inicial no que diz respeito à capacidade instalada de energia eólica offshore. Atualmente, o Reino Unido lidera com cerca de 15.000 MW, seguido pela Alemanha com um total de 14.000 MW e pelos Países Baixos com 7.000 MW.
Portugal prepara-se agora para dar um passo decisivo na transição energética com o lançamento do primeiro leilão de energia eólica offshore, um dos momentos mais aguardados do ano no setor. Com a recente aprovação do Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER Offshore), o país define os espaços marítimos destinados ao desenvolvimento desta tecnologia, estabelecendo as bases para um quadro regulatório mais claro e atrativo para investidores.
Aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 19/2025, de 7 de fevereiro, o PAER identifica áreas específicas ao largo da costa ocidental destinadas à exploração comercial de energias renováveis, com especial enfoque na tecnologia eólica offshore flutuante. As áreas designadas totalizam 2.711,6 km², com um potencial de instalação de até 9,4 GW de capacidade. Estas áreas incluem Viana do Castelo (0,8 GW), Leixões (2,5 GW), Figueira da Foz (4,6 GW) e Sines (1,5 GW).
O potencial da energia eólica offshore é significativo para Portugal, dada a sua extensa costa atlântica e as condições favoráveis de vento. Além de permitir um reforço na produção de eletricidade renovável, contribuindo para a descarbonização da economia, este leilão poderá consolidar o posicionamento do país como um destino competitivo para grandes investimentos no setor das energias renováveis.
Está, pois, previsto que o primeiro leilão de energia eólica offshore ocorra em 2025, com o objetivo de instalar 2 GW de capacidade até 2030, representando um investimento estimado de 9 mil milhões de euros.
O foco neste momento deverá passar pela formulação do modelo e das condições a constarem do próprio leilão, assegurando que este seja competitivo para os investidores, promovendo um equilíbrio entre viabilidade económica e benefícios para o sistema energético nacional.
A experiência internacional mostra que a estruturação adequada do leilão é fundamental para garantir a atratividade dos projetos. O caso recente da Dinamarca, onde um concurso para atribuição de capacidade de eólicas offshore ficou sem propostas, destaca a importância de oferecer condições estáveis e competitivas para os promotores.
Entre os principais fatores que levaram à falta de interesse no concurso dinamarquês destacam-se o aumento dos custos, as taxas de juro elevadas e as dificuldades na cadeia de abastecimento. Além disso, a ausência de incentivos diretos e a obrigação dos investidores assumirem integralmente os custos de conexão à rede tornaram os projetos menos atrativos, levando o governo dinamarquês a reconhecer a necessidade de reformular o modelo de subsídios e a estrutura dos concursos.
Portugal, ao definir um modelo adequado de partilha de custos e incentivos financeiros, poderá evitar um cenário semelhante e garantir o sucesso do leilão. Este deverá contar com uma estrutura de incentivos ajustada à realidade do setor, criando um equilíbrio entre a viabilidade económica dos projetos e a maximização dos benefícios para o sistema elétrico nacional. Além disso, a articulação entre os diferentes agentes – desde reguladores a operadores de rede – será essencial para mitigar riscos e garantir a integração eficiente da energia produzida.
Com uma estratégia bem delineada, Portugal tem a oportunidade de se posicionar na vanguarda da energia eólica offshore na Europa. O leilão não é apenas um mecanismo de alocação de capacidade, mas um marco na política energética nacional, capaz de gerar emprego qualificado, dinamizar a economia azul e reforçar o compromisso do país com a neutralidade carbónica. Resta agora garantir que as condições criadas sejam suficientemente atrativas para captar o interesse dos investidores e consolidar Portugal como um player relevante no mercado global da energia renovável offshore.