Portugal é dos países europeus que mais investe em ‘open banking’, conclui estudo

A oportunidade de melhorar a experiência do cliente foi o maior catalisador dos investimentos, segundo a análise da plataforma sueca Tink.

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Um estudo da plataforma sueca Tink revela que instituições financeiras europeias estão a apostar fortemente em open banking e que o investimento médio europeu se situa entre os 50  e os 100 milhões de euros, sendo que 45% dos inquiridos investiram mesmo mais de 100 milhões de euros.

The investments and returns of open banking entrevistou 290 responsáveis financeiros em doze países europeus, entre os quais Portugal.  Destes, 62,8%  afirmou que o investimento aumentou em relação ao ano passado. No nosso país, 70% dos inquiridos revelaram investimentos superiores a 100 milhões euros e 20% entre 1 e 50 milhões de euros.

De acordo com o estudo, 63% das instituições europeias afirmam que os orçamentos em open banking cresceram desde o ano passado, com um aumento anual de investimento entre os 20% e 29%. Apenas 10% das instituições abrandaram os seus investimentos nesta área. Em Portugal 70% dos entrevistados revelaram que estes investimento cresceram 70% face a 2019.

A oportunidade de melhorar a experiência do cliente (44%) foi o maior catalisador dos investimentos em open banking, os outros motivos apontados foram a  modernização de TI (39%) e a optimização de processos (34%). Em Portugal, a experiência do cliente foi apontada por 55% dos entrevistados como o driver de mudança.

No entanto, há barreiras que persistem e um em cada três entrevistados (33%) aponta para os sistemas de TI antiquados como sendo o principal inibidor de investimento. Por outro lado, 32% mencionaram outras prioridades de negócios mais importantes como a fonte de bloqueio do investimentos e 31% acreditam que as restrições regulatórias sufocam o investimento. Em Portugal, a falta de sentido de urgência foi apontado como o principal entrave aos investimentos, com 65% dos inquiridos a darem essa razão.

As instituições financeiras estão optimistas em relação ao retorno do investimento (ROI) do open banking e 50% das instituições inquiridas projectam retorno num período de menos de quatro anos e mais de dois terços (69%) esperam que os benefícios superem os custos em menos de cinco anos. Apenas 1% das instituições considerou que não houve qualquer retorno. Em Portugal, 60% das instituições financeiras esperam retornos num período até 4 anos.

O crescimento das receitas de novos clientes emergiu como a métrica de sucesso mais importante para os investimentos em open banking com 44% dos entrevistados, que em Portugal, sobem para os 55%. Outros dos benefícios que as instituições apontam são o crescimento das receitas com novos produtos e serviços (39%) e a monetização da informação ao oferecer serviços de programação ou API (37%).

«O open banking não só se tornou numa parte integrante da transformação digital das instituições financeiras e que foi incorporada em todas as partes da organização – como também surgiu como um fator-chave do crescimento das receitas e um importante diferenciador no que diz respeito ao envolvimento e à experiência do cliente», revela Beatriz Gimenez, country manager da Tink para Portugal e Espanha.

A responsável explica a importância do open banking na situação actual: «Hoje, à medida que lidamos com as novas realidades sociais e económicas decorrentes da Covid-19, é vital que as instituições financeiras continuem a dar prioridade ao desenvolvimento de utilizações inovadoras do open banking que ofereçam suporte aos seus clientes através de novas formas e disponibilizem serviços financeiros sem atritos através dos canais digitais».

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