“Portugal não pode cair para a cauda da Europa”, alerta CIP

A CIP diz que o Governo tem de passar rapidamente do plano à concretização, uma vez que nos próximos nove anos, Portugal terá de executar, em média, mais de seis mil milhões de euros anuais de fundos europeus, incluindo o PRR, contra os três mil milhões que tem vindo a executar nos melhores anos. “Uma grande ambição que apenas será realizável se contar com participação ativa das empresas”.

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) veio reafirmar, em comunicado, “a total disponibilidade das empresas para continuar a contribuir para o progresso e desenvolvimento de Portugal”.

Cumprindo o sentido do repto do Presidente da República, “devemos olhar no imediato para a concretização do Plano de Recuperação e Resiliência, alertando que o tempo das medidas de política económica não se coaduna com o tempo das empresas”.

A CIP diz que o Governo tem de passar rapidamente do plano à concretização, uma vez que nos próximos nove anos, Portugal terá de executar, em média, mais de seis mil milhões de euros anuais de fundos europeus, incluindo o PRR, contra os três mil milhões que tem vindo a executar nos melhores anos. “Uma grande ambição que apenas será realizável se contar com participação ativa das empresas”.

A CIP concorda com as afirmações do Presidente da República, Marcelo Rebelou de Sousa, que no dia 21 de julho, no discurso de encerramento do Seminário “Potenciar os efeitos dos fundos europeus na economia nacional”, alertou que “temos de visar como objetivo crescer o mais possível para convergirmos com a média europeia e, mais ainda, cuidarmos que as economias menos competitivas do que a nossa não nos superem uma a uma, atirando-nos para a posição estranha de podermos continuar a dizer que nos aproximamos da média europeia, mesmo se caindo para a cauda da listagem dos Estados membros.”

O Presidente da República pediu mais incentivos ao investimento privado para que Portugal não se compare com as economias mais frágeis da Europa.

A CIP cita Marcelo Rebelo de Sousa para defender a urgência de “assumirmos coletivamente, e com permanência, que importa criar mais estímulos ao investimento privado”, sobretudo tendo em consideração o “peso esmagador das micro, pequenas e médias empresas” em Portugal, mas também das grandes empresas”, facto que justifica que “se vá muito mais longe em termos de incentivos ao investimento”.

“Conforme a CIP tem defendido e fundamentado, são necessários apoios mais robustos à Economia portuguesa, é fundamental que as medidas anunciadas cheguem às empresas, é crítico que as medidas se mantenham por tempo suficiente e é tempo de Portugal ter também instrumentos dirigidos ao reforço do capital das empresas, como sucede noutros países”.

“Não se trata de preferir mais ou menos estado, mais ou menos privado ou estatal, mas sim de dar sinais mais fortes para que se torne mais produtivo e competitivo o tecido empresarial português e para que se cresça mais, criando condições para eliminar limites em termos de competitividade, disponibilização de recursos para melhorar estruturas degradas nos sistemas sociais e para garantir condições de combate à pobreza, correção de desigualdades e melhor justiça social”, defende a confederação que parafraseia o Chefe de Estado.

A CIP reafirma que o progresso económico, social e humano não tem ideologia. Por isso, a CIP responde afirmativamente ao repto apresentado pelo Presidente da República quando incentivou o sector privado a “atuar com realismo e com independência, com sentido do bem comum, evitando a perpetuação da inelutável e casuística tendência de os poderes públicos quererem influenciar e determinar o seu sentir”.

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal representa, diretamente e através da sua rede associativa, mais de 150 mil empresas, que empregam mais de 1,8 milhões de trabalhadores e são responsáveis por cerca de 71% do produto interno bruto (PIB) de Portugal.

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