Portugal pode subsidiar cuidados de saúde dos turistas britânicos

Em declarações ao “The Guardian”, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, disse que o país está a examinar uma oferta unilateral, para garantir a cobertura do cartão de seguro de saúde europeu, de forma a que este continue em vigor para estes cidadãos, mesmo que o acordo não seja feito.

Liam McKay – Unsplash

Portugal está a considerar oferecer assistência médica aos turistas britânicos após o Brexit, para que estes cidadãos continuem a frequentar o Algarve e outras cidades portuguesas, aponta o jornal britânico “The Guardian”. Esta é uma das medidas que o governo português quer implementar para minimizar os efeitos do Brexit no país, “uma vez que os turistas britânicos são dos que mais contribuem para o aumento da economia portuguesa”, sublinha o jornal britânico.

Em declarações ao “The Guardian”, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, disse que o país está a examinar uma oferta unilateral, para garantir a cobertura do cartão de seguro de saúde europeu, de forma a que este continue em vigor para estes cidadãos, mesmo que o acordo não seja feito.

“Os portugueses e os ingleses são os aliados mais antigos do mundo e não importa o que aconteça, os portugueses vão defender os britânicos. Os turistas ingleses são muito importantes para nós”, defendeu a secretária de Estado do Turismo ao jornal britânico.

“Estamos à procura de garantir a cobertura do cartão de saúde no próximo ano”, apontou Rita Marques, salientando para a frequência com que este é utilizado atualmente e se está a causar um impacto positivo. “Se estas são questões importantes para os turistas britânicos, temos que continuar em frente. Estamos a tentar minimizar a interrupção do turismo britânico”, sublinhou.

Atualmente, perto de dois milhões de britânicos visitam Portugal anualmente, sendo o Algarve o destino preferido dos ingleses, tendo alcançado 1,2 milhões de turistas no ano passado.

Portugal está a considerar criar uma fila exclusiva para passaportes britânicos, uma vez que as regras mudaram por o Reino Unido sair da União Europeia. Deve ainda continuar a ser reconhecida a carta de condução e a entrada de animais de estimação deve continuar a ser concedida. Ainda assim, o cartão de saúde europeu pode ser o mais problemático, pois a partir de janeiro deixam de ter acesso a elementos da União Europeia.

Desta forma, a secretária de Estado defende que o Governo está a pensar criar um “pequeno imposto”, à semelhança dos portugueses, para que estes cidadãos possam “consultar um médico de clínica geral ou visitar um hospital”, envolvendo potenciais acordos entre hospitais públicos e privados. Atualmente, estes turistas pagam entre 14 e 18 euros por consultas de emergência e entre nove e 45 euros por uma consulta com um médico.

O cartão de saúde europeu concede cuidados de saúde gratuitos ou de baixos custos, durante as férias no espaço económico europeu, pagando mais de 250 mil tratamentos médicos todos os ano. “Continuar com o cartão de saúde europeu para estes cidadãos britânicos em Portugal pode ser um preço que vale a pena pagar para manter os turistas britânicos, que contribuem com três mil milhões de euros (1,5%) para a economia portuguesa, avaliada em 204 mil milhões de euros”, destaca o “The Guardian”.

Ler mais
Recomendadas

Covid-19: Carris aumenta oferta nos dias úteis

A Carris – Transportes Públicos de Lisboa vai aumentar a oferta nos dias úteis, a partir de segunda-feira, nas carreiras onde se tem verificado uma maior procura, na sequência da pandemia de covid-19, foi hoje anunciado.

Banco de Portugal salienta que as moratórias públicas ou privadas devem ser tratadas da mesma forma

O Banco de Portugal destaca que a segundo esclareceu a EBA, as moratórias, de iniciativa pública ou privada, devem ser tratadas da mesma forma, desde que tenham um propósito e caraterísticas semelhantes. “A EBA definirá, em breve, quais os critérios a observar para o efeito”, diz a entidade de supervisão.

Oxford Economics estima recessão de 2,2% na zona euro e estagnação mundial

“A pandemia do novo coronavírus vai infligir uma profunda recessão na economia mundial, e em muitas das principais economias, durante a primeira metade deste ano”, lê-se numa nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, na qual se prevê que a zona euro caia 2,2%, os Estados Unidos 0,2% e a China cresça apenas 1%.
Comentários