Portugal progride no ‘ranking’ europeu de inovação

Os resultados saídos ontem apontam para o retomar do processo de convergência de Portugal com a UE em termos de inovação. O país subiu quatro lugares e ocupa agora o 14º na UE28.

Em termos económicos, 2017 está a ser um bom ano para Portugal. Os dados do crescimento da economia, do emprego e do investimento estrangeiro assim o indicam, aos quais podemos agora acrescentar os resultados de Portugal no ranking europeu de inovação – European Innovation Scoreboard (EIS 2017), que desde 2001 analisa o desempenho dos países da União Europeia (UE) em relação à sua capacidade de inovação. A boa notícia é que Portugal subiu quatro lugares, ocupando agora o 14º lugar na UE28.

Tratando-se de um ranking, há sempre várias perspetivas de ver os números e os resultados. Por isso, mais do que as variações anuais, torna-se importante analisar as tendências ao longo do tempo de cada país neste ranking. Em relação a Portugal, e após análise dos vários relatórios anuais do EIS, podemos afirmar que houve dois períodos distintos até ao momento: um período de convergência entre 2005-2010, em que Portugal foi dos países com maior progresso relativo na UE; e um período de divergência com a média europeia entre 2011-2015. Estes dois momentos foram diretamente marcados pelo contexto económico e político desses períodos – orientação das políticas públicas para a inovação, a ciência e a tecnologia no primeiro (ex. Plano Tecnológico), enquanto que após 2010 o contexto da troika foi pretexto para um desinvestimento público em I&D e na ciência, bem como para uma menor disponibilidade das empresas para investimentos em inovação e em I&D.

Os resultados saídos ontem podem indiciar o início de um terceiro período – o retomar do processo de convergência de Portugal com a UE em termos de inovação. De facto, e apesar de haver indicadores em que Portugal continua abaixo da média europeia (como na inovação colaborativa ou no investimento em I&D), se considerarmos os indicadores mais recentes que constam do relatório (dados para 2016), verificamos que Portugal progrediu em metade deles, tendo nos restantes permanecido sem alteração. Os indicadores de 2016 com melhorias registaram-se ao nível do pedido do registo de marcas e de designs (propriedade intelectual), nos diplomados do Ensino Superior ou no emprego em atividades intensivas em conhecimento.

No entanto, o relatório do EIS 2017 refere, também, que os resultados dos países neste ranking de inovação são determinados em grande parte pelas caraterísticas das suas estruturas produtivas: países mais especializados em atividades de alta e média-alta intensidade tecnológica são os que apresentam melhores resultados no EIS, nomeadamente em indicadores como os gastos das empresas em I&D, em patentes ou em inovações das empresas – na UE28, a percentagem de empresas que introduz um novo produto/processo é mais elevado (53%) nos setores mais intensivos em tecnologia do que nas restantes empresas (31%).

Este facto explica, em parte, os resultados menos bons de Portugal nos indicadores de impacto da inovação e de output, dado que cerca de mais de 2/3 da estrutura produtiva da economia portuguesa é ainda baseada em atividades de baixa e média-baixa intensidade tecnológica. Dito de outra forma, o EIS favorece mais os países nórdicos (com estrutura produtiva tecnologicamente mais intensiva) do que os países do sul da Europa. Apesar disto, esta melhoria verificada pelo EIS2017 é um sinal positivo de que Portugal está agora empenhado em retomar a via da inovação e do conhecimento como bases para um crescimento económico e um desenvolvimento sustentável. Os resultados do EIS2017 melhoram a nossa imagem ao nível externo, contribuindo para reforçar a confiança dos agentes económicos no nosso país.

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