Portugal Space abre candidaturas para programa de deteção de plástico nos oceanos

As inscrições decorrem até outubro e a melhor proposta de investigação recebe até 500 mil euros. O concurso está aberto a entidades nacionais e internacionais, estando estas últimas obrigadas a trabalhar em estreita cooperação com as instituições portuguesas, que deverão ser líderes de projecto ou, em alternativa, estabelecendo atividade em Portugal.

Rich Carey/Shutterstock

A Portugal Space, agência espacial nacional, abriu as candidaturas para o ‘AI Moonshot Challenge’, um programa de investigação que procura ideia disruptivas, que aliem dados de satélite e Inteligência Artificial, para a deteção de plástico nos Oceanos.

As inscrições decorrem até outubro e a melhor proposta de investigação recebe até 500 mil euros.

“Está aberta a primeira edição do ‘AI Moonshot Challenge’, um concurso de âmbito internacional promovido pela Agência Espacial Portuguesa – Portugal Space em parceria com a Unbabel Labs, e com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Nacional de Inovação (ANI). Esta iniciativa, em linha com a Estratégia Nacional Portugal Space 2030, pretende impulsionar o uso de dados espaciais no avanço da investigação científica e no desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas societais”, explica um comunicado da agência espacial nacional.

De acordo com este documento, “o desafio é lançado a universidades, institutos de investigação, laboratórios estatais, organizações privadas ou públicas sem fins lucrativos que se dediquem à investigação científica ou empresas, incluindo ‘startups’, que articulem dados de satélite e Inteligência Artificial para desenvolver actividades de I&D com vista à detecção, rastreio, caracterização e quantificação dos diferentes tipos de plástico nos oceanos, considerando também rios, lagos ou potenciais locais de origem”.

“Os plásticos que poluem os oceanos podem ter origens muito distintas, podem vir de terra, ou ser largados directamente nos oceanos por barcos de pesca ou navios de transporte, e variam na sua forma, composição e tamanho”, explica Carolina Sá, responsável pelas Relações Industriais e Projetos de Observação da Terra da Portugal Space.

Uma parte significativa destes resíduos é invisível a olho nu, os chamados microplásticos, mas outros têm dimensões significativas como, por exemplo, as artes de pesca deixadas no mar. “A identificação, quantificação e monitorização destes detritos é crucial se queremos compreender o problema Portugal Space em todas as suas dimensões e avaliar quais as medidas correctivas ou preventivas que serão mais eficazes”, acrescenta a especialista em ciências marinhas.

Segundo os responsáveis da Portugal Space, mais de 4,8 milhões de toneladas de resíduos plásticos podem acabar nos oceanos num só ano.

“Esta componente da poluição marinha, é um problema que só agora começa a ser compreendido, mas que necessita de uma resolução urgente pelos impactos que provoca nos ecossistemas marinhos, incluindo problemas ambientais, económicos, de segurança e até de saúde pública. Um estudo das Nações Unidas, publicado em 2014, indica que cerca de 700 espécies marinhas e 50 espécies de água doce já ingeriram ou ficaram presas em plásticos. A poluição não tem apenas efeitos estéticos nas zonas costeiras, ela bloqueia sistemas de drenagem, cria um ambiente propício à reprodução de vectores de doenças. O mesmo documento estima que o impacto da poluição marinha na pesca, turismo e transporte marítimo é da ordem dos 13 mil milhões de dólares/ano”, assinala o referido comunicado.

Com esta iniciativa, a Agência Espacial Portuguesa pretende desafiar investigadores e empresas a juntarem “dados de satélite e Inteligência Artificial para criar ferramentas que contribuam para a solução, ajudando a identificar e monitorizar detritos plásticos à escala local e global”, explica Carolina Sá.

A Portugal Space destaca que a melhor proposta receberá até 500 mil euros como prémio para financiar um projecto de investigação com a duração máxima de dois anos a realizar a partir de Portugal.

O concurso está aberto a entidades nacionais e internacionais, estando estas últimas obrigadas a trabalhar em estreita cooperação com as instituições portuguesas, que deverão ser líderes de projecto ou, em alternativa, estabelecendo atividade em Portugal.

“Este concurso tem claramente um alcance mundial visto que ambicionamos encontrar soluções que possam ser aplicadas em qualquer ponto do globo, mas tem também uma importante componente local já que pretendemos promover o desenvolvimento de tecnologia nacional ou que haja transferência de conhecimento e tecnologia para Portugal”, afirma Carolina Sá, acrescentando que as propostas submetidas por entidades estrangeiras devem “fornecer as garantias de que serão capazes de desenvolver actividade a partir de Portugal”.

As regras do concurso agora conhecidas estipulam que pode ser selecionada mais do que uma equipa desde que o orçamento total previsto não ultrapasse os 500 mil euros.

As propostas serão avaliadas por um júri internacional de peritos nos domínios de Detecção Remota por Satélite e Inteligência Artificial, e presidido por Paolo Corradi, engenheiro de sistemas da Agência Espacial Europeia (ESA) e Carolina Sá, da Agencia Espacial Portuguesa.

A inovação será o principal factor em consideração, assim como a solidez técnica e científica das propostas, assegura a Portugal Space.

As propostas podem ser submetidas até às 23h59 (CET) de 4 de Outubro de 2020.

As melhores candidaturas serão convidadas a apresentar as suas ideias durante a edição deste ano da Web Summit, que decorre de 2 a 4 de Dezembro. O(s) vencedor(es) será(ão) também anunciado(s) no decorrer do evento.

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