Portugal tem mais de 2 mil startups. Fintechs estão prontas para alavancar ecossistema mas pedem menos impostos e mais colaboração

Mastercard Portugal considera que a Izicap, a Nickel e a Ubirider são três startups que exemplificam “a economia real”, porque estão a resolver “casos prementes” da sociedade: “a mobilidade, o apoio aos pequenos comerciantes e novas relações com os consumidores que têm uma conta bancária”.

Andrew Harrer/Bloomberg

O ecossistema de empreendedorismo português é recente e de curta escala, mas um dos melhores ativos que Portugal tem, com empresas de rápido crescimento que representam cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. No total são 2.159 jovens empresas que já captaram 434,5 milhões de investimento em capital de risco e outras fontes de financiamento.

Estas são três das principais conclusões do abrangente relatório “Startup & Entrepreneurial Ecosystem”, elaborado pela consultora IDC e apresentado esta terça-feira na mesa redonda “Fintechs – Influência no Ecossistema Financeiro e Principais Tendências para o Futuro”, organizada pela Mastercard.

Izicap, Nickel e Ubirider foram as três startups presentes – e a country manager da Mastercard em Portugal explicou porquê: “Convidámos três startups que são um bom exemplo da economia real, startups que estão a resolver casos reais que a sociedade tem premente: a mobilidade, o apoio aos pequenos comerciantes e novas relações com os consumidores que têm uma conta bancária. Três exemplos práticos de como a digitalização e a inovação são palavras-chave a melhorar”.

A Izicap, uma fintech apoiada pelo Programa Start Path da empresa de pagamentos, disponibiliza soluções inovadoras de fidelização e marketing digital para pequenos comerciantes e adquirentes. Ou seja, transforma o cartão de pagamento num de fidelização, ao perceber se o cliente é de facto fã daquela loja – e se por poderá beneficiar ainda mais com isso. Miguel Mateus, co-fundador e Chief Operating Officer, diz que os dados ajudam a alimentar o ciclo fechado entre consumidores e comerciantes, sendo que por detrás estão informações de transações (quantas vezes a pessoa foi à loja e quanto gastou). A empresa tem hoje 1,5 milhões de inscritos, maioritariamente em França, de onde é o sócio de Miguel Mateus.

A Nickel é o banco digital do grupo BNB Paribas, que vai começar a operar em Portugal até março de 2022. O CEO da fintech no mercado nacional, João Guerra, aproveitou o palco para deixar um conselho às startups: “pensem na simplicidade, na experiência do utilizador, na escala e na internacionalização”.

Já a Ubirider destacou, neste encontro, a importância da iniciativa de cocriação City Possible, lançada pela Mastercard para reunir cidades, empresas e comunidades e identificar desafios comuns e desenvolver soluções conjuntas que promovam o desenvolvimento urbano inclusivo e sustentável, na voz do fundador e CEO, Paulo Ferreira dos Santos.

“Faz parte do ADN da Mastercard o trabalho colaborativo e, no caso de Portugal em particular, Portugal tem acolhido e criado as condições para acolher mais startups e fintechs quer porque as ajuda a sediarem-se cá, a escalarem para fora ou a atraírem investimento”, afirmou Maria Antónia Saldanha, na apresentação, reforçando que a empresa já acelerou 260 startups.

Mas Portugal está bem posicionado no mapa? Gabriel Coimbra, diretor geral da IDC Portugal e conselheiro da Faber, não tem dúvidas de que as políticas públicas têm ajudado no desenvolvimento do ecossistema, através dos apoios monetários, das Zonas Livres Tecnológicas ou da criação de um visto para nómadas digitais. Contudo, alerta para o baixo custo do talento quando comparado com outros Estados-membros e para os desafios que enfrentam os empreendedores, sobretudo porque 69% pede uma redução da carga fiscal e 46% uma simplificação burocrática. Uma visão na qual o CEO da Nickel se revê: “Era importante que se harmonizasse a fiscalidade com a Europa, houvesse uma redução da carga fiscal”.

Ainda assim, o líder da IDC realça que Portugal está 13% acima da média europeia em número de startups per capita – sendo que um terço opera na área das tecnologias da informação e comunicação e mais de 40% têm sede no Porto e em Lisboa – e está a meio da tabela da Europa em termos de venture capital, com 166 milhões de dólares (cerca de 147 milhões de euros) contabilizados em 2019. “Há muita ambição por parte das startups, o que é ótimo. A maior parte pretende ser global, uma tecnológica de referência um unicórnio ou já está a pensar num IPO”, referiu ainda Gabriel Coimbra.

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