Poupar ou poupar, eis a questão

Parece desadequado falar em poupança em plena crise pandémica que é já uma crise de rendimentos para muitas famílias, mas é nas alturas mais exigentes que se tomam as decisões mais importantes.

A reflexão sobre a importância de poupar é avivada anualmente no Dia Mundial da Poupança, a 31 de Outubro.

Parece desadequado falar em poupança em plena crise pandémica que é já uma crise de rendimentos para muitas famílias, mas é nas alturas mais exigentes que se tomam as decisões mais importantes.

Poupar é sempre boa decisão. Pode ser apenas pôr de lado algum dinheiro, mas com juros dos depósitos bancários em níveis historicamente baixos, a velha solução de depósitos a prazo não é cativante. Mais atractivas são outras opções como certificados de aforro, obrigações do tesouro, fundos de investimento, acções ou obrigações, embora nem tudo o que luz é ouro.

Apesar da baixa rendibilidade, os depósitos bancários têm segurança de capital garantido até cem mil euros, por imposição legal, pelo que dividir o dinheiro pelos bancos em tranches de cem mil euros pode tranquilizar os aforradores mais conservadores. E podem ainda aproveitar depósitos a prazo promocionais que oferecem taxas acima da média do mercado para novos clientes, sabendo que a solução é limitada aos bancos a operar em Portugal e obriga a abrir contas em novos bancos com frequência, pois é habitualmente muito curto o prazo de duração destes juros de campanha.

Com risco baixo e rendibilidade acima dos depósitos a prazo, perfilam-se os certificados de aforro e as obrigações do tesouro, adequados para quem pretenda uma solução de médio prazo, com as regras de maturidade, resgate e benefícios associados aos títulos de dívida pública a depender da longevidade do investimento.

Com maior risco, possibilidade de maior rendibilidade e de perdas totais de capital, situam-se os fundos de investimento, as acções e as obrigações.

Apesar de haver fundos de investimento com garantia de reembolso de capital, tal não resulta da lei. Os fundos de investimento são organismos de investimento colectivo cujo património é representado por unidades de participação e cuja rendibilidade varia consoante o valor dos activos em que o fundo investe (imóveis, valores mobiliários, índices, etc.) e que constam obrigatoriamente da documentação disponibilizada previamente ao investidor; por isso, nos fundos de investimento não há surpresas quanto aos activos em que se aplica o dinheiro dos participantes.

As acções comportam risco de perda total de capital com a hipótese de variação negativa da cotação das acções. Para bem investir em acções, há duas regras de ouro: conhecer o histórico das empresas em que se investe e não entrar em pânico (não vender) assim que a cotação descer. E é possível investir em acções com maior segurança através de fundos de acções, geridos por profissionais e com regras apertadas sobre diversificação de risco, informação a investidores, etc..

O investimento em obrigações não é comum em Portugal, à excepção porventura do investimento em obrigações dos clubes de futebol. As obrigações são títulos de dívida que as empresas emitem, têm risco de incumprimento (risco de crédito), sendo que quanto mais alta é a taxa oferecida, maior o risco associado. Também aqui, mitigar risco é estudar as empresas e a documentação associada ou investir através de fundos (no caso, fundos de obrigações).

Poupar e investir não é fácil, mas está ao alcance de todos com pequeno aforro e informação clara. Poupar é preciso mais do que nunca. E se o medo destes tempos pesa e paralisa, lembremos que o maior peso no mundo são bolsos vazios.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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