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Preço do gás dispara mais de 40% depois do Qatar interromper produção

O país anunciou hoje a interrupção da produção de gás como medida de precaução. Irão também atacou refinaria na Arábia Saudita.
2 Março 2026, 15h13

O preço do gás na Europa agravou hoje as suas perdas após o Qatar anunciar a interrupção da produção de gás natural.

Depois de estar a recuar 21% esta manhã, o índice europeu TTF agravou as perdas para mais de 40% com o preço acima dos 45 euros/MWh nos contratos para entrega em abril.

O Qatar anunciou hoje a paragem na produção com os ataques iranianos sob o país em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel.

A estatal QatarEnergy, com mais 80% dos clientes a serem asiáticos, foi obrigada a declarar force majeure nas suas cargas de gás líquido após o ataque de drones iranianos ao complexo de Ras Laffan, onde o gás gasoso é transformado em líquido para ser transportado via navio.

Ras Laffan é a maior fábrica de exportação de gás do mundo. É daqui que parte um quinto do gás mundial.

O ataque a este complexo chega a par com ataques a infraestruturas energéticas também na Arábia Saudita.

Os petroleiros/metaneiros já deixaram de cruzar o estreito de Ormuz depois das seguradoras anunciarem que não vão cobrir quaisquer custos dada a tensão na região.

O gás qatari pesa 20% no consumo global, abastecendo tanto a Ásia como a Europa.

Já o barril de petróleo valoriza mais de 7% para mais de 78 dólares.

Na Arábia Saudita, o ataque de um drone levou o país a interromper produção na sua maior refinaria.

Também no Curdistão iraquiano  a produção de petróleo sofre recuos e vários campos de gás de Israel travam as suas exportações para o Egipto.

Os drones iranianos também atacaram a zona industrial de Mesaieed onde estão instaladas empresas petroquímicas e fábricas.

“A ameaça à segurança de abastecimento está aqui e agora. A sua escala vai depender da duração do confronto, mas estamos agora num novo cenário”, disse o analista do think-tank Bruegel Simone Tagliapietra.

A maior parte do gás do Médio Oriente destina-se aos países asiáticos, mas uma disrupção vai provocar a competição para fontes de abastecimento alternativas, aumentando os preços no mercado mundial.

Os inventários de gás estão abaixo da sua média para a época e a região precisa de importar grandes quantidades de gás este verão para ter reservas para o próximo inverno.

O disparo percentual no preço do gás é o mais elevado desde a invasão russa da Ucrânia, mas o preço do gás está abaixo dos 50 euros/MWh porque as fontes de abastecimento da Europa não foram diretamente afetadas, com os mercados a avaliar a duração do conflito.

Quanto tempo vai durar o conflito no Médio Oriente? Esta é a pergunta que os analistas fazem em todo o mundo neste momento.

Se o estreito de Ormuz estiver fechado um mês, os preços europeus de gás podem dobrar, segundo uma estimativa do Goldman Sachs.

Mesmo que os EUA disparem a produção, não será suficiente para substituir o Qatar no curto-prazo.

Donald Trump já avisou que a campanha de bombardeamento vai durar semanas. Teerão tem retaliado sobre Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Israel.

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