O preço do gás na Europa agravou hoje as suas perdas após o Qatar anunciar a interrupção da produção de gás natural.
Depois de estar a recuar 21% esta manhã, o índice europeu TTF agravou as perdas para mais de 40% com o preço acima dos 45 euros/MWh nos contratos para entrega em abril.
A estatal QatarEnergy, com mais 80% dos clientes a serem asiáticos, foi obrigada a declarar force majeure nas suas cargas de gás líquido após o ataque de drones iranianos ao complexo de Ras Laffan, onde o gás gasoso é transformado em líquido para ser transportado via navio.
Ras Laffan é a maior fábrica de exportação de gás do mundo. É daqui que parte um quinto do gás mundial.
O ataque a este complexo chega a par com ataques a infraestruturas energéticas também na Arábia Saudita.
Os petroleiros/metaneiros já deixaram de cruzar o estreito de Ormuz depois das seguradoras anunciarem que não vão cobrir quaisquer custos dada a tensão na região.
O gás qatari pesa 20% no consumo global, abastecendo tanto a Ásia como a Europa.
Já o barril de petróleo valoriza mais de 7% para mais de 78 dólares.
Na Arábia Saudita, o ataque de um drone levou o país a interromper produção na sua maior refinaria.
Também no Curdistão iraquiano a produção de petróleo sofre recuos e vários campos de gás de Israel travam as suas exportações para o Egipto.
Os drones iranianos também atacaram a zona industrial de Mesaieed onde estão instaladas empresas petroquímicas e fábricas.
“A ameaça à segurança de abastecimento está aqui e agora. A sua escala vai depender da duração do confronto, mas estamos agora num novo cenário”, disse o analista do think-tank Bruegel Simone Tagliapietra.
A maior parte do gás do Médio Oriente destina-se aos países asiáticos, mas uma disrupção vai provocar a competição para fontes de abastecimento alternativas, aumentando os preços no mercado mundial.
Os inventários de gás estão abaixo da sua média para a época e a região precisa de importar grandes quantidades de gás este verão para ter reservas para o próximo inverno.
O disparo percentual no preço do gás é o mais elevado desde a invasão russa da Ucrânia, mas o preço do gás está abaixo dos 50 euros/MWh porque as fontes de abastecimento da Europa não foram diretamente afetadas, com os mercados a avaliar a duração do conflito.
Quanto tempo vai durar o conflito no Médio Oriente? Esta é a pergunta que os analistas fazem em todo o mundo neste momento.
Se o estreito de Ormuz estiver fechado um mês, os preços europeus de gás podem dobrar, segundo uma estimativa do Goldman Sachs.
Mesmo que os EUA disparem a produção, não será suficiente para substituir o Qatar no curto-prazo.
Donald Trump já avisou que a campanha de bombardeamento vai durar semanas. Teerão tem retaliado sobre Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Israel.
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