Presidente de Torres Novas diz que “Startup é já uma aposta ganha”

A Startup Torres Novas entrou em funcionamento a 17 de outubro de 2016, ainda antes da conclusão das obras e, passado um ano, já avaliou centenas de ideias e deu guarida a cerca de 30 embriões de empresas que geraram 40 empregos diretos.

O complexo do antigo Convento do Carmo, na cidade de Torres Novas, que em tempos mais recentes serviu como hospital, foi comprado pelo município à Santa Casa da Misericórdia. Seguiram-se obras de requalificação e uma inauguração oficial, a 22 de Julho de 2017. O presidente do município, Pedro Ferreira, foi o próprio a reconhecer no dia da inauguração que o processo de recuperação do imóvel, com um custo superior a 5 milhões de euros, tinha sido “lento e desgastante”.

Inicialmente destinado a acolher os paços do concelho, tal acabou por ser inviável, devido a condicionantes impostas pela candidatura a fundos comunitários que tinha sido apresentada pelo anterior presidente da câmara e que só foi aprovada por visar objetivos no âmbito da cultura e não o fim em vista que era de facto a instalação dos serviços.

A autarquia suportou 41% do total do custo das obras de recuperação e o valor restante ficou a cargo de fundos comunitários. Aquele impasse, por força das regras da União Europeia, obriga a câmara a ter de esperar 5 anos para transferir os serviços. Encarou-se então um destino provisório para o edifício construído de raiz na avenida do jardim. Assim se chegou à constituição da Startup Torres Novas neste lugar e prevê-se que o imóvel receba também a Loja do Cidadão.

“Não escondo que uma das preocupações foi a ocupação deste espaço, dada a impossibilidade de a Câmara se instalar imediatamente neste edifício”, disse Pedro Ferreira ao Jornal Económico. “Lançámos o programa Torres Novas Mais, que também inclui o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) e iniciámos contactos com personalidades especializadas. Descobrimos desde logo potencialidades em Torres Novas para criar uma startup, dado o aparecimento de novas ideias que nunca pensámos virem a ser implantadas aqui”, afirma.

“Valeu a pena a mensagem que na altura divulgámos para o exterior e que originou constantes pedidos de adesão. Basta ver o número de empresas incubadas na Startup e toda a experiência que se criou no sentido do empreendedorismo em Torres Novas e fora, com pessoas que pretendem fazer mais pela sua vida e investir nesta região. Em termos regionais e locais, os números indicam que a Startup Torres Novas está a resultar e é uma aposta ganha”, acrescenta.

O autarca considera que o trabalho até agora efetuado merece aplausos. “Devem ser elogiados todos os aventureiros no bom sentido que quiseram juntar-se a nós e que podem transformar Torres Novas numa porta escancarada para o mundo. Surgiram novos negócios, houve contratação de pessoas. Diminuímos o desemprego. Tudo através de uma estreita relação com startups irmãs, desde logo a Startup Portugal e outras. Neste momento, estamos em conversações com a Nersant (Associação Empresarial da Região de Santarém) também no sentido de criarmos raízes ainda mais fortes com o mundo empresarial”, conclui Pedro Ferreira.

A Startup Torres Novas entrou em funcionamento a 17 de outubro de 2016, ainda antes da conclusão das obras e, passado um ano, já avaliou centenas de ideias e deu guarida a cerca de 30 embriões de empresas que geraram 40 empregos diretos. O coordenador, Nuno Valente, faz o ponto de situação. “Dos 30 projetos incubados, uns já se encontram constituídos em empresa, enquanto outros estão em fase de aceleração. O objetivo é sempre a criação de emprego e isso tem sido conseguido. As startups aqui nascidas resultaram em 40 postos de trabalho e a tendência vai no sentido de serem contratadas mais pessoas” – diz.

Nuno Valente informa que, uma vez conhecidos os projetos, é disponibilizado no edifício espaço e meios gratuitos aos candidatos. “São estabelecidas as condições de capacitação dos empreendedores de forma a permitir que passem rapidamente da fase da ideia à sua estruturação. Pretendemos colocar todas as valências e capacidades ao serviço da comunidade. Temos a média de 6 interessados por mês, o que demonstra existir na região massa crítica e pessoas com vontade de levar para a frente os seus projetos”.

O dirigente diz ainda que a Startup Torres Novas está certificada para participar em concursos no âmbito do programa Portugal 2020: “Projetos nossos ganharam iniciativas ligadas ao empreendedorismo como seja o programa Empreende já do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) que é a entidade gestora. Se hoje temos 30 projetos, gostaríamos de chegar ao fim do ano com mais 10 ou 15. Embora a quantidade seja importante, não podemos deixar de dar toda a atenção a cada um deles, sempre com o objetivo do escoamento dos seus produtos ou serviços”.

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