Presidente diz que ataque a Ferro Rodrigues “pertence à justiça”

“Aquilo que pertence à justiça, pertence à justiça, portanto não vou comentar”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Cristina Bernardo

O Presidente da República disse esta terça-feira que “aquilo que pertence à justiça, pertence à justiça”, após o presidente do parlamento ter sido insultado por negacionistas, destacando que “a maioria esmagadora” dos portugueses já se vacinou contra a covid-19.

“Aquilo que pertence à justiça, pertence à justiça, portanto não vou comentar”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, falando aos jornalistas portugueses em Roma, onde vai participar na quarta-feira numa reunião do Grupo de Arraiolos, que junta chefes de Estado com poderes não executivos da União Europeia.

“Tenho para mim que é bom que fique claro que há uma maioria esmagadora com uma orientação e o facto de, por vezes, se hiperbolizar aquilo que existe em democracia, mas que são minorias, é uma forma de fazer o jogo das minorias”, acrescentou o Presidente da República.

Para o chefe de Estado português, “a melhor resposta é dizer há quem defende isso, [mas] olhem para os jovens e vejam os 85% que se vacinaram, que estão a ser vacinados ou que vão ser vacinados”.

“Essa é a grande resposta em democracia e da sociedade civil perante aquelas posições mais radicais ou minoritárias, mas não correspondem ao sentir da maioria dos portugueses”, insistiu Marcelo Rebelo de Sousa, reforçando que “a grande maioria do povo português é bastante clara quanto se tratou de vacinar e ainda agora os mais jovens, […] em que uma percentagem esmagadora aderiu livremente à vacinação”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu um inquérito aos incidentes em que o presidente do parlamento, Ferro Rodrigues, foi insultado por um grupo de negacionistas da vacinação anticovid-19, no sábado, em Lisboa, foi anunciado na segunda-feira.

Em resposta a uma pergunta da Lusa, a PGR confirmou a “instauração de inquérito que teve origem na participação dos factos por parte da PSP”, e que será da responsabilidade do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Segundo um vídeo partilhado nas redes sociais, Ferro Rodrigues estava a almoçar com a mulher, enquanto dezenas de manifestantes negacionistas da covid-19 o insultavam, apelidando o presidente da Assembleia da República, segunda figura do Estado, de “assassino” e “ordinário”.

Relacionadas

“Maquiavel para Principiantes”. “Insultos a Ferro Rodrigues? Tem de haver consequências para quem faz isto”

“O que não pode haver é a passagem do discurso da caserna para a esfera pública. Se andam nas redes sociais a brincar com os exércitos do nojo, é o mundo virtual. Mas quando isto passa para a esfera pública, tem de haver consequências para quem faz isto”, realçou Rui Calafate na edição desta semana do podcast do JE.

Ferro Rodrigues. PSP vai comunicar insultos de negacionistas ao Ministério Público

Apesar de não haver denúncia, a PSP vai comunicar os acontecimentos ao Ministério Público. A segunda figura mais alta do Estado foi alvo de uma espera, e depois insultado, por dezenas de negacionistas Covid-19 no sábado em Lisboa.

Vídeo. Ferro Rodrigues insultado por dezenas de manifestantes negacionistas

Dezenas de negacionistas detetaram o presidente da Assembleia da República, 71 anos, no interior de um restaurante em Lisboa. Fizeram-lhe uma espera e depois insultaram-no durante a sua caminhada para o carro. A segunda figura mais alta do Estado já foi insultada antes em vídeo pelo juiz negacionista Rui Fonseca e Castro.
Recomendadas

“PRR na campanha autárquica? É gravíssimo e só demonstra a falta de vergonha do PS”, considera candidato da IL a Lisboa

Na última edição do programa “Primeira Pessoa, da plataforma multimédia JE TV, Bruno Horta Soares considerou “gravíssima” a entrada do Plano de Recuperação e Resiliência na campanha eleitoral, algo que no entender deste consultor, “só demonstra a falta de vergonha” dos socialistas.

Rui Rio diz que “PRR é insuficiente no apoio às empresas”

“Não é tão mau como o primeiro-ministro tem vindo a dizer, mas é muito insuficiente no apoio às empresas”, considerou o líder social-democrata.
Comentários