Presidente do Novo Banco sobre ida ao Parlamento: “Será uma audição curiosa”

“Como nem os bónus foram pagos nem os aumentos [salariais da administração] existiram, será uma audição curiosa”, reagiu António Ramalho depois do Parlamento ter aprovado por unanimidade a sua audição.

Cristina Bernardo

O presidente executivo do Novo Banco reagiu à sua ida ao Parlamento para responder sobre os bónus e os aumentos salariais na instituição, considerando que será uma “audição curiosa”.

“O PAN requereu a presença do CEO do Novo Banco no Parlamento para falar dos bónus e dos aumentos salariais da sua administração”, escreveu António Ramalho nas redes sociais.

“Como nem os bónus foram pagos nem os aumentos existiram, será uma audição curiosa. Pena que ninguém tenha perguntado. Poupar-se-ia tempo de antena”, concluiu.

O requerimento do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) para chamar o líder do Novo Banco ao Parlamento foi aprovado por unanimidade na segunda-feira na Comissão de Orçamento e Finanças.

Esta audição vai ter lugar depois de ter sido divulgado que o Novo Banco decidiu distribuir quase dois milhões de euros aos membros do conselho executivo apesar de o exercício de 2019 ter terminado com 1.059 milhões de euros de prejuízo. O pagamento está previsto ter lugar em 2022.

O PAN considera que este pagamento “é particularmente preocupante” porque as transferências de dinheiros públicos para o Novo Banco “têm tido um forte impacto na sustentabilidade do nosso país”.

A Comissão também aprovou a ida do  governador do Banco de Portugal ao Parlamento para informar os deputados sobre se “pretende tomar medidas para travar esta decisão e evitar que decisões similares se repitam enquanto o Novo Banco continuar a beneficiar de injeções de dinheiros públicos”.

 

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Requerimento do PAN aprovado por unanimidade pela Comissão de Orçamento e Finanças levará a que António Ramalho e Carlos Costa respondam às perguntas dos deputados em meados de junho. Em causa está a decisão de atribuir bónus aos gestores do Novo Banco apesar dos prejuízos e dos 850 milhões de euros injetados “de forma apressada” pelo Fundo de Resolução.
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