Os dados da inflação norte-americana juntamente com o início da earnings season marcaram a sessão de terça-feira, depois da inflação ter permanecido inalterada nos 2,7% em dezembro.
A earning season arrancou com o banco JPMorgan, que viu as suas receitas subir para 185.581 milhões de dólares (159.122 milhões de euros), contudo os lucros desceram 2% para 57.048 milhões de dólares (48.902 milhões de euros).
A acompanhar estes dados, a administração do presidente Donald Trump avançou com uma investigação criminal contra o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell. Esta decisão gerou várias críticas, com vários bancos centrais preparam uma declaração de apoio a Powell.
Os analistas da XTB referem que “para os mercados, o ponto central não é apenas o custo da obra, mas a perceção de independência do banco central. Se investidores entenderem que há um precedente de pressão política sobre a Fed, isso pode traduzir-se em mais volatilidade no dólar, nas yields das treasuries e nos índices, sobretudo por via do aumento da incerteza institucional e do “prémio de risco” exigido”.
A incerteza que se vive na Fed tem levado a que os investidores optem pelos metais preciosos. “Este anúncio criou volatilidade nos mercados na segunda-feira, sendo que prata, ouro, dólar e índices norte-americanos estiveram no centro das atenções. No caso da prata e do ouro, os metais fizeram novos máximos históricos (com a prata a subir mais de 7% ontem), o dólar abriu a cair substancialmente face ao euro e os índices acionistas abriram no vermelho em torno dos 0,5%, mas acabaram por recuperar todas as quedas, inclusive o S&P500 fez novo máximo histórico”, sublinham.
Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, afirma que “os preços do ouro mantêm-se próximos dos máximos históricos alcançados na sessão anterior, sustentados por uma combinação de fatores. Entre estes destacam-se as preocupações de que a independência da Reserva Federal possa vir a ser comprometida, na sequência do que é amplamente interpretado como uma pressão de cariz político sobre o seu presidente”.
“Um apoio adicional ao metal precioso resulta das expectativas cada vez mais dovish em relação ao percurso das taxas de juro da Reserva Federal, impulsionadas por sinais de abrandamento da economia, pela pressão política para a redução das taxas e pela perspetiva de ser nomeado, em maio, um Chairman mais alinhado com a Casa Branca. Por fim, com as tensões geopolíticas a permanecerem elevadas e o mais recente agravamento da situação envolvendo o Irão a gerar novas preocupações, o apelo do ouro enquanto ativo de refúgio continua a reforçar-se”, declara.
O analista aponta ainda que “neste enquadramento, subsiste margem para novos ganhos nos preços do ouro, embora no curto prazo esses ganhos possam ser condicionados pela prudência dos investidores antes da divulgação de dados económicos relevantes dos EUA, incluindo a inflação e as vendas a retalho, bem como por recentes declarações de teor mais restritivo por parte de responsáveis de topo da Reserva Federal”.
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