Primeira-ministra britânica promete negociar com partidos para desbloquear acordo de saída

A primeira-ministra britânica prometeu continuar a negociar com os outros partidos soluções para conseguir que o parlamento aprove o acordo para o ‘Brexit’ se sobreviver a uma moção de censura do partido Trabalhista.

Stefan Wermuth/REUTERS

A primeira-ministra britânica prometeu continuar a negociar com os outros partidos soluções para conseguir que o parlamento aprove o acordo para o ‘Brexit’ se sobreviver a uma moção de censura do partido Trabalhista.

Theresa May delineou esta estratégia após uma maioria de 432 deputados reprovar hoje o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia no parlamento britânico contra 202 votos a favor, uma desvantagem de 230 votos, sem que 118 dos votos contra foram de deputados do próprio partido Conservador.

“É claro que a Câmara não apoia este acordo. Mas o voto desta noite não nos diz nada sobre o que ele suporta. Nada sobre como, ou mesmo se, pretende honrar a decisão tomada pelo povo britânico em um referendo que o Parlamento decidiu realizar”, disse, após o voto.

O voto culminou cinco dias de debate e aconteceu após um mês após a data inicialmente prevista, a 11 de dezembro, quando foi adiado pelo governo devido ao risco de derrota.

May reconheceu a necessidade de primeiro confirmar se ainda goza da confiança da Câmara, antecipando a moção de censura que o líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, confirmou minutos depois.

“Acredito que sim, mas, dada a escala e a importância da votação desta noite, é justo que outros tenham a oportunidade de testar essa questão se quiserem fazê-lo”, disse, prometendo reservar tempo na agenda parlamentar para um debate e voto na quarta-feira.

Posteriormente, se a moção de censura não passar, prometeu reunir-se com os colegas do partido Conservador e o aliado no parlamento, o Partido Democrata Unionista e dirigentes de outros partidos no parlamento “para identificar o que seria necessário para garantir o apoio”.

“O Governo abordará estas reuniões num espírito construtivo, mas, dada a necessidade urgente de progredir, devemos concentrar-nos em ideias genuinamente negociáveis e com apoio suficiente nesta Assembleia. Em terceiro lugar, se essas reuniões produzirem essas ideias, o Governo vai explorá-las com a União Europeia”, prometeu.

May adiantou que o governo pretende fazer uma declaração sobre o caminho a seguir até segunda-feira, reiterando que entende como um “dever” cumprir as instruções dos eleitores britânicos ao votarem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 2016.

“Todos os dias que passam sem que este problema seja resolvido significa mais incerteza, mais amargura e mais rancor”, lamentou, urgindo os deputados “de todos os lados da assembleia para que escutem o povo britânico, que deseja que esta questão seja resolvida, e que trabalhem com o Governo para o fazer justamente”.

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