Primeiro de agosto, primeiro de desgosto

No que se refere à bazuca, o Governo é generoso com o dinheiro de fora; mas é incapaz de gerir eficazmente o dinheiro de dentro. O Povo paga, mas até quando?

O Governo ainda não recebeu o dinheiro da bazuca e já existem receios quanto à gestão do mesmo, sendo a preocupação generalizada sobre a gestão da distribuição destes fundos. Ainda recentemente, o Presidente da República e o Ministério Público ter-se-ão manifestado apreensivos com a gestão e distribuição destes fundos.

Recorde-se que o Governo havia pregado por aí que a vacinação seria o fim de todos os nossos males. Ora, a vacinação está em curso, mas o fim dos males não o vemos, muito pelo contrário. O Governo tem demonstrado trágica e perniciosa gestão desta crise epidémica.

A empresa de vestuário Dielmar iniciou o mês de agosto com desgosto, apresentando-se à insolvência – um dos muitos exemplos na indústria que não sobreviveu às exímias medidas de gestão pandémica do nosso governo. A fábrica, que gerava mais de 300 postos de trabalho no interior do país, terá até março deste ano faturado pouco mais de 700 mil euros, tendo no ano anterior registado para cima de 5 milhões de euros.

Qual a estratégia do Governo português? Ao invés de acabar com as medidas prejudiciais e desastrosas que, na prática, apenas arruínam empresas, famílias e lares, provocando insolvências “bola de neve”, aposta-se antes na distribuição e gestão de dinheiros que não nos pertencem.

Esta gestão pública, de cariz extremamente dúbio, que empurra as empresas para um charco, foi agora acompanhada pela decisão, na passada sexta-feira, de prorrogar novamente as moratórias bancárias, passando as mesmas desta vez a abarcar apenas o reembolso de capital.

Aliviam-se as moratórias, mas não se alivia a economia. Estas medidas, que não são acompanhadas por efetivos apoios do Estado, continuam a contribuir para o retrocesso e sistemática decadência da nossa economia, que continua sem ver a bazuca europeia. O Governo mostrou grande regozijo com o chumbo do Tribunal Constitucional às ajudas aprovadas na Assembleia da República, uma medida de apoio justa, mas considerada uma violação das normas do orçamento e que foi, portanto, rejeitada pelo Tribunal Constitucional.

É inconcebível que nesta gestão, que não é de solucionar mas de dar, o Governo se mostre muito jubiloso e radiante com o facto de distribuir os fundos europeus, mas se mostre muito zeloso e cauteloso para que não sejam dados os fundos de apoio aprovados por maioria na Assembleia da República.

Mais. Recorde-se que, por um lado, este Governo sufoca as pessoas e as empresas com uma carga fiscal praticamente sem precedentes na nossa história democrática. E, por outro, o mesmo Governo continua na senda de anteriores governos, dos quais o nosso primeiro-ministro fez parte – e os “compadrios” mantêm-se –, e do abandono de um modelo que funcionava na saúde, tão maltratada pelo executivo, que eram as parcerias público-privadas (PPP).

Dito por outras palavras, conserva a fórmula do passado nas parcerias de duvidoso interesse público, o que é mau, e, quando inova, no campo das PPP, acabando com elas, a sua atuação, passa de má a péssima.

Em suma, no que se refere à bazuca, o Governo é generoso com o dinheiro de fora; mas é incapaz de gerir eficazmente o dinheiro de dentro.

Uma coisa é inegável: na arte de gerir a carteira dos outros, o nosso Governo é um bom gastador sem critério, vai afundando as finanças públicas e batendo recordes atrás de recordes no endividamento de todos nós. O Povo paga, mas até quando?

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