Principais partidos redobram esforço de campanha um pouco por todo o país

As eleições são para a Europa mas a tónica continua a ser ‘caseira’. O PS e o governo de António Costa estão no centro da atenção das restantes formações políticas.

À entrada de uma semana crucial para os resultados das eleições europeias, a 26 de maio, os partidos desdobram-se em ações de campanha um pouco por todo o país, na tentativa de conseguirem bens resultados. Num cenário em que o PS parece ter à partida a vitória ao seu alcance, os principais ‘tons’ da campanha parecem ser, por um lado, a ausência das matérias europeias em favor das nacionais, e, por outro, o divórcio, mesmo que apenas momentâneo, entre as forças que sustentam o governo do PS.

O secretário-geral do PS advertiu este sábado que o seu partido tem de lutar até ao último segundo pela vitória nas eleições europeias, sem se deslumbrar, salientando que previsões não são votos que entram nas urnas.

No seu discurso do almoço comício socialista em Viana do Castelo, tal como fizera na véspera na Covilhã, António Costa voltou aos alertas sobre os perigos das sondagens favoráveis ao PS. Dirigindo-se a uma sala cheia de militantes e simpatizantes socialistas, António Costa disse que sabe que muitos estarão esta tarde a acompanhar os resultados do campeonato de futebol.

“As eleições são mesmo como o campeonato [de futebol], jogam-se até ao último minuto – e é até ao último minuto que nós também vamos ter de jogar, sem atirar a toalha ao chão, mas também sem nos deslumbramos com os resultados das sondagens. Nós sabemos bem que é dia a dia, minuto a minuto que se conquista o resultado – e é isso que vamos ter de fazer como as equipas que hoje estão a disputar o campeonato vão ter de fazer durante 90 minutos”, declarou.

“O que nós temos de fazer, durante a próxima semana, é lutar até ao último segundo pela vitória – e por uma grande vitória pela Europa, por Portugal e pela continuação do rumo da nossa governação”.

Já  o cabeça de lista social-democrata às eleições europeias, Paulo Rangel, tentou este sábado “cativar e convencer” eleitores para o voto no PSD numa “arruada” animada em Guimarães, bastião socialista onde desvalorizou os ataques do “habilidoso” António Costa.

“Nós hoje estamos a fazer ações de rua em Vizela, em Barcelos, em Guimarães que são tudo municípios de cor socialista. Nós vamos a todo o lado, não é como o PS que nunca sai à rua e quando sai é em clima favorável, e mesmo assim ninguém sabe quem é o cabeça de lista. A nós isso não acontece, vamos a todo o lado”, declarou, no final da ação de rua, no centro histórico de Guimarães.

Depois de dois dias em campanha por regiões do país afetadas pela desertificação, com iniciativas de rua pouco participadas, Rangel frisou que não tem “medo da rua”: “vamos onde está o povo, para o ouvir e naturalmente também para o tentar cativar e convencer para o nosso programa”, declarou.

Por outro lado, o cabeça de lista da CDU às europeias mostrou-se seguro de que a mensagem da sua força política tem chegado aos cidadãos eleitores, em jeito de balanço da primeira semana de campanha oficial na estrada.

“Eu não acho, tenho a certeza. Por onde temos passado, a mensagem da CDU tem chegado. Acho que há o reconhecimento do trabalho que temos feito, a perceção do quão importantes são estas eleições no imediato para o país e para decisões que vão ser tomadas no Parlamento Europeu que vão ter grande influência sobre o país”, disse João Ferreira.

O eurodeputado respondia a jornalistas no meio de uma arruada no centro histórico de Alcochete e considerou que “também tem sido razoavelmente claro quem assume compromissos sobre questões importantes que vão ser decididas no Parlamento Europeu e quem se refugia em questões laterais e acessórias para fugir a esses compromissos e fugir a clarificar, desde já antes das eleições, que posições vai assumir em torno de questões tão decisivas para Portugal como o orçamento da União Europeia e uma futuro Política Agrícola Comum ou questões ambientais”.

Por seu turno, a coordenadora bloquista, Catarina Martins, apelou ao voto na candidatura do partido às europeias de quem “confiou no BE em 2015 e quem votou na Marisa Matias” nas últimas presidenciais, pedindo que no dia 26 “não fiquem em casa”.

Conforme é já tradição nas corridas eleitorais do BE, a meio da campanha o partido reúne-se em Lisboa para um “mega-almoço”, que este sábado juntou cerca de 900 pessoas na Sala Tejo do Altice Arena, que ouviram o maior apelo ao voto dos discursos desta campanha eleitoral.

“Apelo também àqueles que nunca votaram no BE, que não votaram na Marisa Matias, mas que sabem com quem têm estado ao longo destes anos, sabem quem têm encontrado nas suas lutas, no que conta, sabem que quem tem estado, lado a lado, com cada um, com cada uma é o Bloco de Esquerda”, pediu, num segundo apelo ao voto.

Já o eurodeputado do CDS Nuno Melo atacou o ministro das Finanças por ter dado uma “indicação institucional a Bruxelas da disponibilidade” de Portugal para a criação de “impostos europeus, à margem de qualquer autorização do parlamento”.

A acusação de Melo surgiu durante uma ação de campanha em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro, na qual criticou o facto de esta indicação ter sido dada “em plena campanha eleitoral”, numa matéria, a eventual criação de impostos europeus, que divide “profundamente” o PS, que os defende, e o CDS, que é contra, segundo disse.

“Não compreendemos realmente que, em plena campanha eleitoral” o “ministro socialista Mário Centeno se permita dar indicação institucional, a Bruxelas, da disponibilidade para impostos europeus, à margem de qualquer autorização do parlamento e basicamente impondo a todos os portugueses aquilo que eventualmente os portugueses não querem”, afirmou aos jornalistas.

E acrescentou que “não é sério, em campanha eleitoral, um ministro socialista comprometer o Estado português com impostos que são europeus, basicamente abdicando uma parcela muito relevante a soberania” do país, sublinhou ainda.

Entretanto, o cabeça de lista da Aliança às eleições europeias, Paulo Sande, disse este sábado, durante uma ação de campanha no Porto, que o partido pretende instalar na cidade uma agência ou um órgão da União Europeia.

“Uma das coisas que queremos fazer é garantir que, na próxima legislatura da União Europeia, venha para o Porto, como já devia ter acontecido, uma agência europeia ou um órgão da União Europeia”, afirmou Paulo Sande à margem da ação de campanha que decorreu esta manhã na Rua de Santa Catarina e no mercado temporário do Bolhão, no Porto.

O cabeça de lista, que retomou hoje a campanha eleitoral depois de um acidente de viação, salientou que apesar de não existirem “agências disponíveis”, poderão vir a ser criadas “novas”, colocando a hipótese de serem transferidas “algumas” das agências instaladas noutras cidades, incluindo as duas que estão em Lisboa, para o Porto.

“É uma luta que acho que faz todo o sentido, o país tem de ser mais equilibrado e, portanto, é aqui que isto faz sentido”, disse Paulo Sande, acrescentando que “outras cidades e regiões do país têm de ganhar dimensão e isso passa também pela parte administrativa e pela parte da governação”.

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