Prioridade às indústrias dos produtos de saúde

As atividades económicas não são todas iguais, pelo que não é indiferente a priorização das apostas “setoriais” em matéria de política de competitividade.

As atividades económicas não são todas iguais, pelo que não é indiferente a priorização das apostas “setoriais” em matéria de política de competitividade. Estamos num momento crítico a este respeito, uma vez que o processo de revisão/ atualização das Estratégias de Especialização Inteligente está em curso no país e o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nacional está em fase avançada de preparação e aprovação.

Considerando o momento, gostaria de destacar hoje a natureza estratégica da priorização nacional ao investimento nas indústrias dos produtos de saúde, sejam medicamentos, dispositivos médicos ou soluções mais imateriais de smart health.

A crise pandémica veio relembrar a centralidade da saúde e o papel cada vez mais determinante das suas cadeias de valor no desenvolvimento social e económico dos países. O envelhecimento da população no mundo desenvolvido representa uma oportunidade bilionária.

Em paralelo, a natureza das indústrias dos produtos de saúde faz delas atividades absolutamente estratégicas para qualquer país. É importante ter presente que as indústrias dos produtos de saúde então entre as indústrias que empregam mais trabalho qualificado e altamente qualificado, onde a produtividade do trabalho é das mais elevadas e onde a intensidade de investimento em I&D é das mais fortes, para não falar da intensidade de proteção da propriedade industrial.

Países pequenos como o nosso (e.g. Suíça, Dinamarca, Bélgica, Irlanda, Israel) perceberam há muitos anos este caráter estratégico da saúde, priorizando as apostas da sua política de competitividade para as indústrias dos produtos da saúde. Na Suíça, por exemplo, o peso do VAB das indústrias dos produtos de saúde no conjunto das indústrias transformadoras ultrapassa os 29%, na Dinamarca está além dos 25% e na Bélgica acima dos 19%. Em Portugal, o peso do VAB das indústrias dos produtos de saúde no conjunto das indústrias transformadoras não vai além dos 3%. A margem de progresso, é assim gigantesca.

A conclusão é óbvia: uma aposta séria e incisiva nacional nas indústrias dos produtos de saúde é um caminho relevante para o desenvolvimento económico e para a resposta às necessidades crescentes da população em matéria de saúde e de envelhecimento ativo e saudável.

Portugal possui já um ecossistema muito completo nas áreas ligadas à saúde: boas infraestruturas científicas e tecnológicas, muito bem posicionadas na Europa e no mundo em matéria de produção científica; bom sistema de saúde; indústria com capacidade empreendedora; regime fiscal atrativo em matéria de I&D; regulador sofisticado. Em contrapartida, Portugal possui custos de contexto muito pesados na área da saúde.

Falta, pois, dar a necessária e irrevogável prioridade na nossa política de competitividade às indústrias dos produtos de saúde, potenciando os nossos pontos fortes e colmatando os nossos pontos fracos. Será uma prioridade estratégica, com resultados seguros para o futuro.

Na EY-Parthenon, tivemos a oportunidade de desenvolver em anos recentes diversos estudos estratégicos para a Apifarma e para o Health Cluster Portugal que identificam as principais ações e apostas necessárias ao sucesso futuro das indústrias dos produtos de saúde no país. É o contributo que deixamos para estratégias de especialização inteligente nacionais que valorizem adequadamente estas áreas de atividade económica e para um PRR que estimule de forma efetiva a recuperação e a resiliência da economia portuguesa, devidamente orientada para as grandes oportunidades mundiais do futuro.

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