Processamento de dados na China emite tanto carbono como 21 milhões de carros, alerta Greenpeace

O desenvolvimento do ‘big data’ é uma das prioridades da China, visando modernizar as indústrias nacionais e a administração pública, mas que tem suscitado críticas, por possibilitar ao regime chinês uma maior vigilância sobre os cidadãos.

Os centros de processamentos de dados da China produziram, em 2018, um volume de dióxido de carbono equivalente ao emitido por 21 milhões de automóveis, segundo um relatório da organização de proteção ambiental Greenpeace divulgado hoje.

Os centros armazenam conteúdo eletrónico, incluindo emails, fotos e vídeos, e consomem, globalmente, entre 3% e 5% do total da eletricidade, rivalizando com o setor da aviação em emissões de carbono.

A China tem uma das maiores indústrias do mundo de processamento de dados, responsável pelo consumo de mais de 2% do total da energia do país, detalha o relatório da Greenpeace.

O desenvolvimento do ‘big data’ (processamento de grandes volumes de dados) é uma das prioridades da China, visando modernizar as indústrias nacionais e a administração pública, mas que tem suscitado críticas, por possibilitar ao regime chinês uma maior vigilância sobre os cidadãos.

O país asiático é também o maior emissor de gases poluentes do mundo e prometeu atingir o pico nas emissões de dióxido de carbono até 2030.

Nos últimos anos, tem sido de longe o maior investidor global em energias renováveis, sobretudo solar, mas a maioria destes centros recorre a energia fóssil, sobretudo carvão, detalha a organização de proteção ambiental.

“A maioria das instalações está localizada na costa leste, perto de centros de negócios, e longe da produção de energia renovável no centro e oeste do país”, lê-se no relatório.

Entre os 44 centros de processamento de dados analisados pela organização, apenas cinco usam energia renovável.

O setor é dominado por firmas nacionais como as gigantes Huawei, Tencent ou Alibaba, mas também a norte-americana Apple, já que os reguladores chineses exigem que as empresas armazenem todos os dados recolhidos na China dentro do país.

Com cerca de 800 milhões de internautas, a China tem a maior população ‘online’ do mundo, pelo que a procura por armazenamento de dados continuará a crescer nos próximos anos.

Os autores do relatório preveem que, em cinco anos, o consumo de energia nos centros de processamento de dados do país aumentarão em dois terços, para um total de 267 terawatts/hora (TWh) por ano – mais do que o total da energia consumida pela Austrália, em 2018.

As emissões devem subir das atuais 99 milhões de toneladas de dióxido de carbono para 163 milhões, o equivalente ao produzido por 35 milhões de automóveis.

Em 2015, o Governo chinês lançou um programa piloto de centros ‘verdes’ de processamento de dados. O gigante do comércio eletrónico Alibaba inaugurou já um centro que recorre ao uso de energia solar e hidráulica, enquanto a água de um lago evita o sobreaquecimento dos servidores.

Nos Estados Unidos, os centros têm também reduzido significativamente as emissões de carbono.

Os centros de dados da Apple são alimentados por energia limpa e, segundo a empresa, o seu novo centro na China também utilizará energia renovável.

A Microsoft e a Amazon também definiram como objetivo alimentar os seus centros de processamento de dados unicamente com energia renovável.

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