Procura por imobiliário de luxo vai continuar

A subida de preços do centro de Lisboa resulta de uma correção de valores que eram praticados em tempo de crise e da crescente procura.

Bolha Imobiliária na China

A proliferação de empreendimentos de luxo em Lisboa e no Porto, têm sido apontados como os causadores desta corrida ao mercado residencial e de causar a subida dos preços das casas nas duas cidades, contudo Fernando Goldman, diretor da Consultan, empresa de mediação de imóveis de luxo, avança que esta subida tem duas frentes distintas: uma delas é a mera correção dos preços que outrora eram praticados. “Entre 2016 e 2017 recuperamos os preços que praticávamos em 2007. E a partir daquele ponto, começamos a ver ganhos reais de valor. Vemos isto como positivo, pois é assim que funcionam as grandes capitais do mundo: o centro é um local caro para se viver, face ao desequilíbrio entre procura e oferta. Lamentamos a dificuldade de muitos lisboetas em arcarem com a nova realidade, mas é inócuo lutar contra esta. Precisamos repensar a organização territorial destas cidades”, explica.

O responsável adianta ainda que não acredita em especulação. Na sua opinião, especulação existe quando os fundamentos de suporte a um mercado são irreais ou artificialmente criados. “Estamos aqui diante de uma procura real por propriedades imobiliárias em nosso país. E isso explica tamanha pujança, mesmo em momentos de baixo ou nenhum apetite da banca em fomentar esta situação”.

Fernando Goldman salienta ainda que no imobiliário prime existem os mais variados tipos de projetos. Desde pequenas unidades de luxo para exploração do “short-term rental”, até espetaculares penthouses de centenas de metros quadrados debruçadas ao Tejo.

Admite mesmo que a procura dos estrangeiros pelos produtos portugueses vai continuar, desde que mantidas as condições dadas a estes investidores. “Não falo apenas das condições fiscais, beneficiadas pelo regime de residentes não-habituais, mas também das condições de segurança: política, social e jurídica”, assegura.

Goldman revela que as novas propostas apresentadas pelo Governo vão ter impacto no mercado. “Todas as políticas recentes são os grandes vetores de dinamismo do mercado. Seja pelos benefícios oferecidos aos investidores, seja pela revisão de diretrizes de urbanização, o Estado tem grande papel no fomento ao mercado imobiliário”, assegura. Contudo, pelo facto da Consultan operar no mercado há 45 anos, encontra-se preparada para lidar com estas mudanças. “Trazemos a excelência do atendimento, a seleção dos projetos com os quais queremos trabalhar e a máxima do ‘preferir a qualidade à quantidade’. É assim que estamos a escrever nossa história há quase meio século”, conclui.

Preços sobrevalorizados

Recentemente foram divulgados   os valores médios do preço da habitação em Lisboa, no quarto trimestre de 2017, pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, e o aumento foi de +18,1%. Na capital,  as freguesias de Santo António (que inclui a Avenida da Liberdade e áreas adjacentes) e da Misericórdia (que inclui a área do Bairro Alto e do Cais do Sodré) registaram os preços medianos mais elevados de venda de alojamentos, respectivamente 3 827 euros/m2 e 3 520 euros/m2 , entre as 24 freguesias da cidade de Lisboa. Contudo, sabemos que em muitos casos os valores sobem para além dos 10 mil euros o metro quadrado, existindo já o caso de atingir os 13 mil euros. Valores nunca antes atingidos, mesmo nos tempos áureos do imobiliário antes de 2007, onde o preço do metro quadrado no empreendimento Palácio Estoril Residencias atingiu valores de oito mil euros o metro quadrado, sendo um dos mais caros do país na época.

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