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Produção europeia de embalagens de vidro cai 10% em dois anos

Durante a Cimeira Europeia da Indústria, em Antuérpia, a Federação Europeia do Vidro de Embalagens (FEVE) alertou que o atual contexto económico está a enfraquecer as condições de investimento e a colocar em risco a capacidade industrial estratégica na Europa.
19 Fevereiro 2026, 14h23

O setor europeu de vidro e embalagem registou uma descida de 10% na produção, entre 2022 e 2024, aproximando-se dos níveis atingidos durante a crise financeira de 2008-2009. A competitividade deste setor está a ser pressionada pelos elevados custos de energia e pelo aumento dos encargos associados ao carbono.

Durante a Cimeira Europeia da Indústria, em Antuérpia, a Federação Europeia do Vidro de Embalagens (FEVE) alertou que o atual contexto económico está a enfraquecer as condições de investimento e a colocar em risco a capacidade industrial estratégica na Europa.

Tiago Moreira da Silva, presidente da AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem, afirma que “a indústria do vidro de embalagem é um pilar essencial da economia e das cadeias exportadoras portuguesas e europeias, do vinho à alimentação e à cosmética. Num contexto de custos energéticos elevados e crescente pressão regulatória, é fundamental assegurar condições de competitividade que permitam às empresas continuar a investir, inovar e criar emprego, enquanto contribuem para a balança comercial portuguesa”.

Desde o setor do vinho, bebidas espirituosas, alimentação premium, cosmética e farmacêutico, a indústria de vidro de embalagens desempenha um papel fundamental na disponibilização de embalagens de uso único ou reutilizáveis.

As exportações da União Europeia (UE) destes produtos representam mais de 140 mil milhões de euros por ano, o que corresponde a 6% do total das exportações europeias. Portugal é um importante exportador de vinho, azeite, conservas, entre outros produtos.

A pressão sentida pelo setor e a redução da capacidade produtiva poderá aumentar a pressão sobre custos e comprometer a competitividade internacional destas indústrias.

A indústria europeia do vidro está a enfrentar uma forte pressão estrutural, com os custos energéticos europeus a continuarem acima dos registados noutras regiões concorrentes. Aliado a este fator está também o agravamento dos encargos associados ao Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da UE.

Este ano está prevista uma atualização dos referenciais de emissões, o que pode fazer com que algumas empresas enfrentem um aumento substancial dos custos relacionados com o dióxido de carbono já no próximo ano.

Michel Giannuzzi, presidente da FEVE, refere que “não existe uma Europa resiliente, segura ou forte sem uma indústria europeia forte. O setor do vidro de embalagem está plenamente empenhado em concretizar as ambições europeias em matéria de clima e economia circular, e estamos a investir significativamente em tecnologias de descarbonização”.

“Contudo, a indústria não pode assegurar esta transição sozinha. Os líderes da UE devem agir já para reduzir os custos da energia e do carbono, acelerar o desenvolvimento das redes e simplificar o enquadramento regulamentar”, salienta.

Para fazer face a este decréscimo, a FEVE apela a que se adotem medidas que reforcem a competitividade industrial, tais como a redução dos custos energéticos e de carbono associados, ajustes nas políticas de economia circular que assegurem estabilidade e competitividade, um reforço dos mecanismos de defesa comercial para garantir condições de concorrência justa e leal e incentivos de mercado que estimulem a procura por produtos seguros e fabricados na Europa.

Na Europa este setor emprega diretamente cerca de 50 mil trabalhadores e sustenta mais de 850 mil empregos ao longo da sua cadeia de valor. A produção de embalagens de vidro e as indústrias que utilizam este material geram um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros.

A FEVE refere que a “manutenção de uma base industrial forte na Europa será determinante para garantir a competitividade das cadeias exportadoras e assegurar a continuidade do investimento em inovação e descarbonização”.


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