Proibição de carne de vaca divide Governo: Ministro da Agricultura fala em “populismo e demagogia”, ministro do Ambiente aplaude medida

Capoulas Santos defende a “liberdade de escolha informada” para os cidadãos tomarem as suas decisões. Já João Matos Fernandes defendeu que devem haver mais medidas como estas nas universidades portuguesas.

Cristina Bernardo

A Universidade de Coimbra decidiu proibir carne de vaca nas suas cantinas a partir de janeiro de 2020, uma medida que tem sido criticada por vários setores económicos como os agricultores ou os produtores de leite.

A polémica já chegou ao Governo, com o ministro da Agricultura e o ministro do Ambiente e da Transição Energética a terem opiniões divergentes sobre o assunto. A medida foi tomada pelo reitor da universidade com razões ambientais, com as universidades nacionais a terem autonomia suficiente para decidirem sobre estas questões.

O responsável pela pasta da Agricultura deixou duras críticas, pela imposição da proibição por parte da Universidade de Coimbra, dizendo que a medida se deve ao “populismo e à demagogia”.

“Proibir ou educar? Não deixa de ser amargo constatar que até as vetustas paredes da centenária academia são permeáveis ao populismo e à demagogia. Sete séculos depois, o decreto ainda derrota a educação, que é a maior garantia da liberdade individual e, dentro desta, da liberdade de escolha informada”, escreveu Luís Capoulas Santos nas redes sociais.

Por sua vez, o ministro do Ambiente aplaudiu a medida por contribuir para a neutralidade carbónica. “Parece-me relevante que uma universidade, neste caso a de Coimbra, tudo faça com o objetivo de ser neutra em carbono em 2030. Esta é uma medida, obviamente outras terão que lhe seguir”, disse o governante, citado pela Lusa.

“Nós temos que evoluir para uma sociedade que seja neutra em carbono. Temos metas ambiciosas e todos os setores têm que contribuir”, disse, destacando a autonomia das universidades para tomar decisões.

Por sua vez, o líder do Partido Animais Pessoas (PAN) também aplaudiu a proibição. “É isto que defendemos, politica com coragem”, escreveu André Silva nas redes sociais.

 

 

Ler mais
Relacionadas

“Universidade com 700 anos quer banir alimento com milhares de anos? Incompreensível”. Produtores de leite revoltados com Universidade Coimbra

A organização explica que a carne não é o principal produto das vacarias e que a venda ou engorda dos vitelos machos e das vacas após o fim da vida produtiva “é um complemento fundamental, quando o preço do leite está abaixo do custo de produção”.

CAP contra proibição da carne de vaca nas cantinas da Universidade de Coimbra

“O esforço de descarbonização faz-se com a agricultura e com os agricultores e não contra a agricultura e contra os agricultores” diz a CAP.

“Demagógica” e “errada”. CNA condena interdição de carne de vaca na Universidade de Coimbra

A decisão – que pretende ser “muito atual, muito ‘na moda’”, mas “cai já fora de tempo, pelo menos no âmbito da produção pecuária” – é também “um ataque autocrático ao direito individual de escolha” (por parte dos frequentadores das cantinas da Universidade de Coimbra (UC), sustenta ainda a organização de agricultores sediada em Coimbra.
Recomendadas

CMVM: Empresas demonstram falta de conhecimento sobre finanças sustentáveis

De acordo com o relatório divulgado pelo regulador do mercados sobre os fatores ‘ESG’, as 17 entidades envolvidas nessa consulta pública, entre as quais empresas e associações representativas do setor empresarial e financeiro e dos consumidores, sinalizaram dificuldades de “imprecisão e confusão conceptual” sobre o tema.

Galamba recebido com protestos contra lítio em Boticas e não faz visita prevista

Depois de o carro ter sido cercado pelos manifestantes, João Galamba voltou para trás, tendo regressado mais tarde já com a presença da GNR no local, mas, mesmo assim, acabou por não fazer a visita.

Irão e Rússia inauguram construção de novo reator nuclear no Golfo Pérsico

Destinado a garantir que o programa nuclear iraniano não tem nenhum objetivo militar, o acordo parece atualmente ameaçado, desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente, em maio de 2018, antes de restabelecer sanções económicas contra Teerão.
Comentários