Projeto de peixe hipoalergénico vence prémio da Agência Nacional de Inovação

O projeto ‘Allyfish’, desenvolvido por Pedro Rodrigues, Cláudia Raposo e Denise Schrama, investigadores da Universidade do Algarve, procura reduzir o potencial alergénio do peixe, através de uma abordagem multidisciplinar “desde a produção ao consumidor final”, fundamentando-se na “caracterização dos alérgenos deste alimento e na redução do potencial alergénico do mesmo”.

Um projeto para a produção de um peixe hipoalergénico, tolerável a quem sofre de alergia alimentar, foi o vencedor do prémio ‘Born from Knowledge 2020’ atribuído hoje pela Agência Nacional de Inovação (ANI), no âmbito dos ‘Food & Nutrition Awards’.

Em comunicado, a ANI afirma que considerou o projeto como “o melhor candidato de base científica e tecnológica” a concurso, o que lhe valeu o troféu “Árvore do Conhecimento”.

O projeto ‘Allyfish’, desenvolvido por Pedro Rodrigues, Cláudia Raposo e Denise Schrama, investigadores da Universidade do Algarve, procura reduzir o potencial alergénio do peixe, através de uma abordagem multidisciplinar “desde a produção ao consumidor final”, fundamentando-se na “caracterização dos alérgenos deste alimento e na redução do potencial alergénico do mesmo”.

Considerando o prémio “uma agradável surpresa” e reconhecendo o trabalho como “importante para a sociedade”, Pedro Rodrigues disse à Lusa que a intenção é tornar acessível esta importante fonte de proteína, que provoca reações alérgicas em “2% a 5% da população mundial adulta com especial incidência em crianças e jovens”.

Partindo do conhecimento de que 95% das alergias a peixe se devem à presença de uma determinada proteína (b-parvalbumina) presente no músculo dos animais, os investigadores procuram “diminuir a sua existência”.

Por um lado, introduziram moléculas específicas, como o EDTA, na ração dos peixes de aquacultura (dourada e robalo) para tentar “reduzir a quantidade da b-parvalbumina no músculo de peixe”, por outro procuram ”alterar a forma tridimensional da proteína” retirando-lhe cálcio e tornando-a “praticamente não alergénica”, revelou.

“Colocámos na ração dos peixes, moléculas que vão roubar o cálcio ao meio e não o tendo, a molécula não o pode incorporar e toma uma forma que é menos alergénica”, explicou.

Os testes efetuados em doentes alérgicos a peixe deixaram a equipa satisfeita já que demonstraram “uma redução em 50%” nas reações alérgicas ao consumo desses peixes e em “outros 30% (de doentes) houve uma redução do grau alergenicidade”.

Também os testes de degustação efetuados em parceira com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) demonstram que não houve alteração “na qualidade e sabor do peixe” e a quantidade de cálcio presente no músculo ”está dentro dos limites estabelecidos para o consumo humano”.

Mesmo com os dados obtidos, Pedro Rodrigues adiantou que a investigação vai continuar, para perceberem como será possível “aumentar esta percentagem” e reduzir o grau de alergia, podendo chegar a um peixe “100% hipoalergénico”.

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