Quanto devem os grandes devedores à banca? PSD exige respostas do Banco de Portugal

O PSD exige saber qual o valor total que os grandes devedores devem à banca. Os sociais-democratas querem que o Parlamento pressione o Banco de Portugal para divulgar estes dados em agregado, defendendo que os detalhes devem continuar sob sigilo.

Cristina Bernardo

O PSD exige saber quanto é que os grandes devedores devem à banca. Para tal, querem que a Assembleia da República exija ao Banco de Portugal que entregue o relatório com os valor total em dívida.

Os sociais democratas vão fazer esta proposta na conferência de líderes parlamentares que vai ter lugar esta quarta-feira, 29 de maio.

O Banco de Portugal (BdP) entregou na passada semana no Parlamento um relatório extraordinário que contém a informação sobre os grandes devedores à banca. Na terça-feira, o supervisor divulgou publicamente parte do relatório com dados sobre a injeção de dinheiro público na banca, mas não divulgou os dados agregados sobre os grandes devedores.

O relatório divulgado na terça-feira detalha que o Estado injetou 24 mil milhões na banca nos últimos 12 anos, o equivalente a 12% do PIB português. Deste valor total, só recuperou 5,3 mil milhões, faltando assim recuperar cerca de 80% das ajudas à Caixa Geral de Depósitos (CGD), BES/Novo Banco, Banif, BPN, BCP e BPI.

“O PSD vai propor que a Assembleia da República exija ao Banco de Portugal a preparação e publicação imediata deste relatório” contendo o valor agregado dos grandes devedores, e separados por banco, disse o deputado do PSD, António Leitão Amaro.

Além do valor total em dívida à banca, este relatório deve conter o “valor das garantias, o valor dos perdões, o impacto nos capitais, os montantes para perceber o que aconteceu”, explicou o deputado ao Jornal Económico.

António Leitão Amaro esclareceu que o PSD exige tornar público os valores agregados em dívida, e não em detalhe. “Não é a informação nome-a-nome, não é a lista dos grandes devedores”.

Mais tarde, os deputados vão analisar o relatório completo em detalhe para perceber o que aconteceu no setor da banca ao conceder créditos que estão em incumprimento.

“Depois, o que os deputados vão fazer com a lista nome a nome é perceber: este senhor aqui tem perdão maior do que o normal, e também teve perdão noutro banco, e aqui concederam-lhes outros créditos. Para ficarmos a saber as histórias destes Berardos da vida, das Ongoings”, afirmou.

O deputado rejeita que a lista dos grandes devedores seja tornada pública, pois existem casos de incumprimento que acontecem no âmbito da operação normal de uma empresa. “Não faz sentido estar a publicar informação relativamente a um devedor que teve um problema num crédito que foi bem concedido, que estava garantido, que tinha mais de 20% na cobertura das garantias, e teve um problema de negócio.

“Faz sentido sim, uma transparência máxima em casos como o de Joe Berardo, que são coisas de favor. Isso faz-se dentro da comissão e do Parlamento, mas era importante desde logo perceber a fotografia geral, perceber o que é que aconteceu em cada banco, os grandes números”, acrescentou.

O deputado social-democrata deixa duras críticas à atuação do supervisor presidido por Carlos Costa. “Ora, o Banco de Portugal fez uma interpretação completamente esdrúxula. Simplesmente decidiram violar a lei, aquilo não tem cabimento nenhum. Não publicaram [os valores agregados], isto é uma grosseira violação da lei”.

“Falhou na sua obrigação de entrega de informação do relatório agregado, a lei manda que seja publicada no site do Banco de Portugal, desde o dia 23 de maio que está a ser violada a lei”, criticou António Leitão Amaro.

Ao final da tarde de terça-feira, o Banco de Portugal disse que não divulga os nomes dos grandes credores da banca, de forma a proteger “o financiamento da economia” e a “estabilidade financeira”, segundo o supervisor, citado pela Agência Lusa.

Questionado pelo Jornal Económico sobre as críticas feitas pelo deputado António Leitão Amaro e sobre a publicação do relatório com os valores agregados, o Banco de Portugal não respondeu até ao fecho desta edição.

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