“Qualquer alteração à política orçamental é agora menos provável”. Moody’s saúda resultado das legislativas

Para a agência de notação de financeira norte-americana, a consolidação do resultado do Partido Socialista vai permitir uma governação de “continuidade”.

A Moody’s não está preocupada com a falta de maioria absoluta do Partido Socialista (PS). A agência de notação financeira norte-americana referiu esta terça-feira que o resultado eleitoral do PS confere ao partido liderado por António Costa uma posição mais forte para governar, uma vez que conquistou mais lugares no parlamento do que todos os partidos de centro direita agregados.

“Embora tenha ficado aquém da maioria absoluta, o resultado é positivo para o crédito, porque a posição fortalecida do PS no parlamento significa que qualquer mudança material na abordagem disciplinada à política fiscal é agora menos provável”.

Para a agência de ‘rating’, o desfecho das eleições legislativas de domingo sinaliza até continuidade da política fiscal. “No geral, o resultado significa que uma mudança importante na direção da política fiscal de Portugal é improvável. O PS fez campanha numa linha de disciplina fiscal e prometeu que o país terá excedentes orçamentais como forma de proteger Portugal de uma desaceleração do ciclo económico”, lembra Sarah Carlson, vice-presidente sénior da Moody’s.

Num relatório publicado esta tarde, a Moody’s lembra ainda que António Costa referiu que gostaria de renovar o pacto governamental com um dos dois partidos com os quais formou a ‘gerigonça’ – Partido Comunista (PCP) e Bloco de Esquerda (BE) – e mostrou até vontade de trabalhar o PAN, que conquistou quatro lugares na Assembleia da República.

“A nova aritmética parlamentar significa que ainda pode aprovar leis se o BE e o PCP se abstiverem. Isso deve permitir ao governo resistir às pressões para aumentar os gastos nos próximos anos, inclusive das partes que podem apoiá-lo em muitas outras medidas”, refere Sarah Carlson, no mesmo documento.

A agência de notação financeira prevê que a dívida corresponda 116,6% do Produto Interno Bruto (PIB) português em 2020 e um défice de 0,2% do PIB no mesmo ano. No entanto, estima que continuem a existir pressões sobre a massa, decorrentes do descongelamento gradual das progressões nas carreiras. “Continuar a congelar o consumo intermédio, provavelmente, será difícil de sustentar a longo prazo”, alerta a especialista. “Também observamos que os orçamentos portugueses se tornaram cada vez mais rígidos nos últimos anos devido a compromissos de gastos plurianuais e cortes de impostos”, sublinha.

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