Queda da cotação do petróleo obriga Arábia Saudita a cortar 124,3 mil milhões de euros em gastos

Prossegue a guerra nos preços do petróleo entre sauditas e russos. A receitas de petróleo da Rússia devem diminuir 36,9 mil milhões de euros em 2020.

Com a cotação do petróleo francamente abaixo dos 30 dólares por barril, os futuros do Brent do Mar do Norte deslizaram para os 26,32 dólares, enquanto os seus congéneres norte-americanos do WTI registaram uma ligeira apreciação face ao anterior valor de fecho, cotando-se a 22,97 dólares por barril, às 12h45 de Lisboa. Estes preços exigem que a Arábia Saudita e a Rússia – os dois principais produtores mundiais de petróleo que continuam a travar uma guerra de cotações –, revejam os gastos orçamentais em 2020, devido à quebra de receitas da venda de petróleo, e aos efeitos da Covid-19 na desmobilização da atividade económica.

Só a Arábia Saudita terá de cortar os gastos do Governo em 133 mil milhões de dólares (cerca de 124,3 mil milhões de euros), o que corresponde quase a 5% do seu orçamento para 2020, segundo o ministro responsável pelas Finanças, Economia e Planeamento da Arábia Saudita, Mohammad Al-Jadaan. A agência Reuters já tinha informado que a Arábia Saudita seguia uma orientação, dada pela sua equipa das Finanças, de cortar um mínimo de 20% nos orçamentos governamentais, preparando-se assim para a guerra de preços que se seguiria ao não alinhamento com os produtores da OPEP+.

Acontece que a atual cotação internacional do petróleo é cerca de três vezes inferior ao preço de equilíbrio da produção petrolífera saudita, segundo referem especialistas no sector. Além disso, o equilíbrio orçamental da Arábia Saudita implica cotações do petróleo em torno dos 91 dólares por barril. Assim, a única alternativa saudita será recorrer ao seu fundo soberano. O reverso desta medalha será o risco de esgotar o fundo soberano saudita e a impossibilidade de investir na produção de petróleo em 2020 – e sem investimentos durante 12 meses o débito de extração de petróleo saudita cai bastante.

Do lado da Rússia, há indicações consistentes de que os principais produtores conseguem manter um aumento de produção de petróleo de 500 mil barris de petróleo por dia, garantido por mais de seis anos a cobertura das quebras de receitas decorrentes de uma baixa cotação internacional do petróleo. Mesmo assim, esta solução implicaria um adiamento dos projetos de investimento na extração de petróleo no Ártico.

Segundo informações do ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, a Federação Russa tem expectativa de obter receitas de petróleo e gás que ficarão cerca de 39,5 mil milhões de dólares (cerca de 36,9 mil milhões de euros) abaixo dos valores que tinham sido trabalhados para o orçamento, antes da guerra de preços do petróleo com a Arábia Saudita e antes da crise do Covid-19.

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