Quem é Juan Roig, a alma por trás da Mercadona

Em vez de ir gozar a reforma e a larga fortuna que amealhou, o maior responsável pelo grupo líder da distribuição espanhola preferiu apostar em novos desafios: a Internet e a expansão para Portugal. Perfil de um empresário com dificuldades em ficar quieto.

Juan Roig Alfonso (Valencia, 1949) é um dos empresários veteranos de Espanha (já devia estar reformado), mas já declarou que não tem intenção de se retirar das suas atividades empresariais. E até já tem novas metas para fazer crescer a sua empresa, a Mercadona: as vendas online e a operação em Portugal, como oportunamente adiantou o Jornal Económico, que surgem depois de a empresa chegar à primeira posição no setor de distribuição em Espanha.

Roig herdou apenas uma dúzia de supermercados de seu pai, Francisco Roig, com quem criou Mercadona, nos anos oitenta, conta a publicação ‘Expansión’ na sua versão online. O seu irmão Fernando, proprietário da Pamesa Cerámica, detém uma participação minoritária na rede.

Roig tem um estilo pessoal e familiar de entender a administração. “Conselhos, com dinheiro”, é uma de suas máximas: as decisões são tomadas em conselho formado por ele e pela sua família, juntamente com outro acionista minoritário. Roig não é a favor de incluir diretores independentes na empresa.

Juan Roig tem aumentado a dimensão da Mercadona com base no crescimento geográfico. Primeiro na Comunidade Valenciana e nas duas últimas décadas, no resto da Espanha. Agora tem mais de 1.600 lojas e está em todas as comunidades autónomas.

A base de sua estratégia é, para além de manter o grupo estritamente familiar, um relacionamento muito próximo com as empresas fornecedoras, com as quais tem ligações de longo prazo e políticas de contas abertas, para que as vidas dos fornecedores e Mercadona estejam intimamente ligadas ao grupo – a tal ponto, que chegou a proteger alguns de ataques de outros interessados e a adquirir outras para as salvar da falência.

A política de compras é uma das chaves da sua estratégia. Além do relacionamento especial com os fornecedores, Juan Roig alterou o sistema de compras de produtos frescos, levando a produção para as lojas e reduzindo o tempo em que eles lá ficam.

Agora, surge um novo salto: Portugal e as vendas online. A saída para o exterior já foi prevista há vários anos para Itália, mas acabou por ser interrompida numa altura em que a operação estava praticamente pronta.

Foi finalmente decidido que a internacionalização começaria por Portugal – seguindo a mesma rota geográfica, o norte, que há algumas décadas foi ‘desbravada’ pela Zara de Amancio Ortega. A primeira parte da operação é a abertura de quatro lojas no primeiro ano e ter um centro de logística. A sua sede será no Porto: Roig mantém sua estratégia de centralizar os seus interesses numa cidade de tamanho médio (na Espanha, a sede é Valencia) em vez de na capital do país.

Fica para já por saber-se até que ponto irá a operação portuguesa crescer – num quadro geográfico em que a concorrência é muitíssimo apertada. Mas Juan Roig não costuma fazer as coisas ao acaso.

Outro de seus grandes desafios é a venda online, que está a começar uma nova etapa: já estava a vender na internet (entregas ao domicílio), mas o grupo optou por replicar o modelo dos gigantes do setor: o comércio eletrónico. O grupo já possui centros logísticos específicos para as vendas pela Internet e há pouco começou o recrutamento de ‘experts’ na matéria.

Juan Roig quer deixar um legado nos negócios apoiando o empreendedorismo. Foi uma das primeiras grandes fortunas a criar o seu próprio acelerador de empresas: a Lanzadera. Há cinco anos, promoveu um diploma universitário especializado em empreendedorismo e também investe pessoalmente em empresas recém-criadas para as fazer crescer.

Por outro lado, o seu papel como mecenas do desporto é desenvolvido através da Fundação Trinidad Alfonso (o nome da sua mãe), enquanto a arte é desenvolvida pela sua mulher, Hortensia Herrero, que tem a sua própria fundação.

A sucessão de Roig é hoje desconhecida. Tem quatro filhas, que fazem parte do conselho de administração, e duas delas também trabalham na Mercadona: Carolina Roig é coordenadora da Divisão de Análise de Mercado e Juana Roig dirige a Mercadona Online. Roig afirmou, sobre a sua sucessão, que “o património é herança, a liderança e o trabalho”. E ‘descansou’ os analistas (não os de mercado, dado que o grupo não é cotado): “internamente, temosa solução planeada”.

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