Quem é o grupo de jovens que atirou aviões de papel e estragou a “festa” de António Costa?

O movimento sociopolítico internacional, cujo objetivo é combater as alterações climáticas através da “desobediência civil não-violenta”, está presente em mais de 350 cidades, deixou uma mensagem clara ao Governo: “Mais aviões só a brincar”, criticando assim a instalação de um novo aeroporto no Montijo.

Mário Cruz/LUSA

O discurso de António Costa no aniversário do Partido Socialista na segunda-feira, 22 de abril, foi interrompido por uma invasão de palco peculiar. A invasão teve lugar na cidade do Montijo, distrito de Setúbal, precisamente para onde está planeado para 2022 o novo aeroporto de Lisboa, que vai ser instalado na atual base da Força Aérea.

Enquanto discursava, o primeiro-ministro foi “bombardeado” com aviões de papel seguindo-se da invasão de quatro jovens que subiram ao palco e interromperam o evento do PS apesar de não lhes tenha sido cedida a palavra. A mensagem para o Governo foi clara: “Mais aviões só a brincar”.

Os ativistas do clima chamam-se na verdade Extinction Rebellion Portugal, um movimento internacional presente em mais de 350 cidades, cujo objetivo é o combate às alterações climáticas.

O discurso que um dos jovens tentou ler em palco, antes de ser expulso pelos seguranças do recinto foi depois publicado no Facebook. “Lamentamos estragar a vossa festa, mas o rio Tejo, aqui ao lado, a nossa cidade e as gerações futuras não têm nada para celebrar”, escreveu o grupo, repetindo as palavras abafadas por gritos de “PS! PS! PS!”.

 

O movimento jovem acusa António Costa de comprometer “a saúde e a qualidade de vida de 30 mil pessoas” com a construção do aeroporto no Montijo, lembrando que a “poluição atmosférica e sonora dos aeroportos é causa de AVCs, doenças cardiovasculares e respiratórias, cancros, perturbações no sono e cognitivas”. Além disso, considera a medida incompatível com o compromisso assumido pelo Governo de tornar Portugal neutro em emissões de carbono em 2050.

O Extinction Rebellion Portugal exige, então, a suspensão do projeto de expansão da Portela e do novo aeroporto no Montijo, no Estuário do Tejo – “um paraíso de biodiversidade”. Há que dar início a um processo de Avaliação Ambiental Estratégica “com vasta participação pública”, defende.

Os jovens que executaram a invasão de palco pertencem a este movimento internacional com o mesmo nome, que “usa desobediência civil não-violenta” para “atingir mudanças radicais” na sua luta pela diminuição do “risco de extinção humana e colapso ecológico”.  Nasceu no Reino Unido, mas está agora presente em mais de 350 cidades por todo o mundo.

Numa entrevista à “TSF”, a coordenação liderada por Sinan Eden admite que os protestos servem para apelar à reflexão por parte dos governos. Ainda não está decidido que pretendem fazer a seguir, mas garante que o movimento vai continuar.

ATO 10: Ativistas bombardeiam primeiro-ministro com aviões de papel e exigem que diga a verdade sobre os impactos do…

Posted by Extinction Rebellion Portugal on Monday, 22 April 2019

 

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