A iliteracia financeira de sindicatos e governos tem deixado a sua marca desastrosa na sociedade portuguesa.

Vem este artigo a propósito da contraproposta das alterações à lei laboral que a UGT entregou ao Governo e que contempla, entre muitas propostas, o aumento do pagamento do trabalho suplementar e a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais.

Quem fala assim não é gago e pensei em quatro justificações para este embuste. 1) Não tem consciência do impacto na economia (setor público e privado); 2) esqueceu-se de fazer contas; 3) não sabe fazer as contas e têm todos de regressar à escola, ou 4) não está nem aí e não quer acordo.

Convém recordar que os problemas na saúde, justiça ou educação agudizaram-se quando o governo, para se manter no poder, decidiu, em 2016, com os votos do PS, Bloco de Esquerda e PCP, reduzir o horário da função pública para as 35h semanais, naquela que foi a pior decisão para Portugal e que tem consequências até aos dias de hoje.

Nessa ocasião esqueceram-se de fazer contas. Se nos trabalhos por turnos, considerando 8 horas por dia, três trabalhadores supriam todo o trabalho, com as 35 h oras semanais ou 7h por dia, criar escalas tornou-se um pesadelo para os gestores privados e públicos, com consequências para as empresas e consumidores.

Não admira que todos se queixem de que os preços subam, é que estas medidas têm um custo muito elevado, que é sempre pago por nós. Ou tinham de contratar mais trabalhadores, ou os serviços só poderiam deteriorar-se. E foi o que aconteceu.

Ora, o que os sindicatos deviam estar a reivindicar era uma descida de impostos para quem pretende trabalhar mais, e não o aumento do trabalho suplementar. Isso, sim, seria defender o interesse do país e dos trabalhadores. Pedir o que não existe para repartir é hipotecar ainda mais os trabalhadores.

Mas há mais. No que concerne às férias, o trabalhador vai poder faltar três dias ou seis meios-dias sem penalização! Ganha três dias de férias que as pode gastar em faltas. Mais uma vez quem paga? Quem os substitui? Quem atende as pessoas que precisam de consultas, tratamentos, julgamentos, etc.? Depois é fácil criticar e dizer que é preciso mais dinheiro para os serviços. Isto é um poço sem fundo. Quem paga? Todos nós, não os sindicatos.

A prioridade deve ser o combate à evasão fiscal, que ficou perdida no tempo e que é impeditiva da redução de impostos. As centrais sindicais que ainda não perceberam que, a prosseguirem este caminho, não só vão destruir-se a si próprias, como nos levam a todos com eles.