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Randstad divulga os 50 destaques do mercado de trabalho português no segundo trimestre

A análise da Randstad destaca a taxa de emprego temporário de 15,6%, como “um dos valores mais baixos” de que há registo em Portugal. Lisboa lidera nas remunerações e Portugal fica atrás da média europeia nas qualificações.
OCDE
1 Setembro 2025, 12h55

A Randstad Research divulgou os seus 50 destaques do mercado de trabalho português no segundo trimestre de 2025. Entre eles está a taxa de emprego temporário de 15,6%, “um dos valores mais baixos” de que há registo em Portugal.

“Este resultado reflete uma tendência de maior estabilidade contratual no mercado de trabalho, num momento em que o número de pessoas empregadas atingiu os 5,25 milhões, o valor mais elevado de sempre. Atualmente, 84,9% dos profissionais por conta de outrem têm contrato sem termo, confirmando uma transformação estrutural em direção a vínculos laborais mais duradouros”, salienta a Randstad.

A diretora de marketing da Randstad Portugal, Isabel Roseiro, considerou que a redução da taxa de emprego temporário é um “sinal claro de maior maturidade” do mercado de trabalho português.

“A estabilidade contratual não só aumenta a confiança dos trabalhadores, como permite às empresas construir equipas mais coesas e produtivas. Ainda assim, é importante garantir que esta evolução não compromete a flexibilidade necessária num mercado em rápida mudança”, acrescentou Isabel Roseiro.

No trabalho elaborado pela Randstad é salientado que no segundo trimestre de 2025, a população ativa aumentou em 30,6 mil pessoas, ultrapassando os 5,57 milhões de ativos, sendo este “o valor mais elevado de sempre”.

Este valor foi também acompanhado pela subida do emprego, que “atingiu o recorde” de 5,25 milhões de pessoas, mais 66,9 mil do que no trimestre anterior enquanto que a taxa de emprego fixou-se em 57,1%, “reforçando a trajetória de crescimento”.

Por qualificações os dados indicam que “35,3% dos profissionais empregados concluíram o ensino superior, com uma taxa de emprego de 80,2%, significativamente acima dos que têm o secundário ou pós-secundário (70,6%). Do ponto de vista setorial, a indústria transformadora continua a representar uma fatia relevante do emprego (16,5%), enquanto o comércio emprega 14,8% do total. Nos serviços, a educação e a saúde concentram 18,3% dos profissionais”.

Já o emprego público ultrapassou os 760 mil profissionais. “Em termos anuais, representou um crescimento de 11.030 trabalhadores. A administração central continua a concentrar a maioria do emprego público (74,7%), enquanto 92,7% dos profissionais desempenham funções no continente”, destaca os dados da Randstad.

Verificaram-se quebras ao nível do número de desempregados para 329,5 mil pessoas no segundo trimestre de 2025, “menos 36,3 mil face ao trimestre anterior e a taxa de desemprego fixou-se em 5,9%, “um dos valores mais baixos” desde a pandemia da Covid-19.

Desemprego de longa duração é preocupação

“Entre os mais jovens (16-24 anos), o desemprego recuou 3,1 pontos, mas permanece elevado, em 18,1%, quase três vezes superior à média nacional. Apesar desta melhoria, o desemprego de longa duração continua a ser uma preocupação estrutural: 42,4% dos desempregados procuram trabalho há mais de um ano, embora esta proporção tenha descido 1,8 p.p. no último ano”, alerta a Randstad.

“A nível regional, as taxas de desemprego mais baixas verificaram-se nos Açores (3,9%) e no Algarve (4,5%). A mais elevada registou-se na Península de Setúbal (8,6%). Em números absolutos, o Norte concentra o maior número de desempregados, com 115,5 mil pessoas. Os dados do IEFP mostram ainda que o setor dos serviços continua a ser oque maior número de desempregados tem, reunindo 72,1% dos desempregados registados, sobretudo nas áreas imobiliárias, administrativas e de apoio. Em termos de qualificações e de acordo com os dados do INE, 36,9% dos desempregados têm apenas o ensino básico, o que evidencia a importância da formação contínua e da requalificação como instrumentos de inclusão no mercado de trabalho”, sublinha a empresa.

Lisboa lidera nas remunerações

Ao nível das remunerações o valor médio situou-se em 444,83 euros em maio de 2025, o que representa uma subida homóloga de 4,7%, “apesar de uma queda mensal de 1,1%”. Lisboa continua a ser a região com maior remuneração média (1.794,80 euros), diz a Randstad.

No teletrabalho registou-se uma subida para as 12,8 mil pessoas, “abrangendo agora 1,1 milhões de profissionais (20,9% do total de empregados). Lisboa e a Península de Setúbal são as únicas regiões acima da média nacional”. Na estrutura empresarial em junho de 2025 foram constituídas 3.646 empresas e dissolvidas 672, “invertendo a tendência de dissoluções superiores a constituições” que se verificou em 2023.

Portugal atrás da média europeia nas qualificações

Os dados da Randstad, tendo em conta o Eurostat, dizem que “30,9% das pessoas empregadas em Portugal têm um baixo nível de qualificação (no máximo ensino obrigatório), uma proporção que duplica a média da União Europeia”.

A Randstad sublinha que “apesar dos avanços registados” na qualificação da população ativa, Portugal mantém-se entre os países da Europa com “maior peso de trabalhadores com baixa escolaridade”, acima de outras economias como Espanha, Itália ou Malta.

“Esta realidade continua a ser um desafio estrutural para a produtividade e para a adaptação às exigências da economia digital”, refere a análise da empresa.


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