Reatia, a startup de Leiria que juntou algoritmos à venda de casas

A empresa tecnológica reportou um crescimento homólogo de 80% no primeiro semestre de 2021, em volume de negócios e número de clientes/utilizadores, que são hoje mais de dez mil.

“Somos uma startup de Leiria e, por isso, a nossa sede continua a ser, orgulhosamente, nesta cidade”. É desta forma que o empreendedor português Hugo Venâncio, que em 2019 fundou a tecnológica Reatia, começa por explicar ao Jornal Económico (JE) que as raízes da Beira Litoral não se perdem apesar das provas que esta empresa de apenas dois anos tem dado no mercado português e espanhol.

A plataforma de inteligência artificial para o mercado imobiliário (proptech) criada e liderada por Hugo Venâncio recorre a tecnologias de Big Data e Inteligência Artificial para disponibilizar soluções de relatórios de mercado, metasearch, geração de leads e soluções customizadas através de APIs (interface de programação de aplicações) para empresas ligadas à habitação: banca, fundos de investimento imobiliário, agências imobiliárias, entre outras.

Só em Portugal, a empresa reportou um crescimento homólogo de 80% no primeiro semestre de 2021, em volume de negócios e número de clientes/utilizadores, que são hoje mais de dez mil. Perante este ímpeto, está agora a estender a ronda de investimento que fechou em outubro de 2020, de um milhão de euros, para acelerar a entrada em novos países, meses depois de abrir um escritório em Madrid.

“Espanha era o grande milestone a conquistar, na nossa estratégia de internacionalização e estamos muito satisfeitos por termos conseguido concretizá-lo no primeiro semestre deste ano. Este passo permite-nos agora pensar num novo mercado cuja entrada será anunciada em breve. Esse momento de internacionalização representou a nossa ambição enquanto negócio global e evidencia que o que fizemos em Portugal é escalável para outros países”, afirmou o CEO ao JE.

Tal como acontece com a generalidade do sector tecnológico, a Reatia – onde trabalham neste momento 28 pessoas, espalhadas pela Península Ibérica – está em processo de recrutamento, com oito vagas de emprego ainda em aberto para as funções de responsáveis de vendas (sales account executive para Lisboa, Madrid e Paris), programadores (back-end developers) e também cientistas de dados.

“O mercado imobiliário está a conseguir ultrapassar as dificuldades impostas pela pandemia. Os dados são claros: houve um aumento das transações imobiliárias de 27% em março de 2021, face a março de 2020”, refere Hugo Venâncio, cuja startup conta com investidores como Portugal Ventures, do grupo Banco Português de Fomento, Wisenext e Olisipo Way.
Apesar de a pandemia com a qual a Reatia se deparou pouco tempo após abrir atividade não ter impactado negativamente o seu desempenho, alterou certos paradigmas no sector. “Nos meses de confinamento, verificou-se uma redução efetiva de entrada de novos imóveis no mercado, mas também se verificou a entrada de um grande número de imóveis para o arrendamento convencional, imóveis esses provenientes de arrendamento de curta duração (alojamento local). Esses novos imóveis que entraram no mercado trouxeram, naturalmente, um ajuste de preço”, apontou o CEO. “Além do ajuste de preço, verificámos ainda uma maior procura por moradias fora dos grandes centros urbanos. Neste último trimestre conseguimos já verificar uma normalização da atividade imobiliária, seja ao nível da entrada de novo produto no mercado imobiliário, seja nas transações efetuadas”, diz Hugo Venâncio.

 

Imóveis mais caros de Lisboa estão em Santo António
De pilar tecnológico e matemático, esta proptech é uma das fontes de informação sobre o mercado imobiliário em Portugal – nomeadamente um dos mais quentes: o de Lisboa. No final de agosto, a Reatia publicou um guia no qual demonstra que esta freguesia ‘alfacinha’ alberga os imóveis mais caros, uma vez que adquirir um apartamento nesta zona exige um investimento médio, em quase todas as tipologias, superior a 6 mil euros por metro quadrado (m2) e para arrendar será necessário, no mínimo, despender 1.300 euros/mês. O market report da startup é útil para perceber, por exemplo, que arrendar um apartamento T5 pode ser mais vantajoso do que um T4 apesar da oferta não ser tanta, pois a renda média de um imóvel com quatro quartos é de 3.204 euros/mês, enquanto se tiver cinco esse valor desce para os 1.945 euros mensais.

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