Recuperação da economia dependerá do progresso na situação epidemiológica, alerta Governo

De acordo com o Ministério das Finanças, “a severidade da quebra da economia está bem espelhada no impacto que as três últimas semanas de março tiveram na evolução do PIB no primeiro trimestre”.

Cristina Bernardo

O Produto Interno Bruno (PIB) português sofreu uma quebra de 2,4% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativa às contas nacionais trimestrais, divulgadas esta sexta-feira, e tanto o órgão nacional de estatísticas como o Governo reconheceram que esta quebra deveu-se ao impacto da pandemia da Covid-19 no país.

De acordo com um comunicado divulgado esta tarde, o Ministério das Finanças afirma que a crise económica que se aproxima “não tem origem nem na economia nem no sistema financeiro” e sublinha que a recuperação “a economia nos próximos meses dependerá do progresso na situação epidemiológica e do êxito do levantamento gradual das medidas restritivas” que foram decretadas em Portugal em março mas que se encontram em fase de levantamento gradual desde o início deste mês.

“A severidade da quebra da economia está bem espelhada no impacto que as três últimas semanas de março tiveram na evolução do PIB no primeiro trimestre”, continua o comunicado.

De acordo com os dados históricos do INE, a queda homóloga é a maior desde o primeiro trimestre de 2013 (-3,6%), período marcado pela intervenção da troika. Em cadeia, esta é a maior contração desde, pelo menos, 1995, ano em que começa a série histórica. Anteriormente, a maior queda em cadeia tinha ocorrido no primeiro trimestre de 2009 (-2,5%) na altura da crise financeira.

O comunicado do Ministério de Mário Centeno reconhece ainda que nos últimos quatro anos, Portugal registou “um crescimento significativo do investimento, a estabilização do setor financeiro, o reequilíbrio das contas externas e a consolidação estrutural das finanças públicas que constituem bases sólidas para enfrentarmos esta crise melhor do que no passado”.

“É este percurso que procuraremos recuperar para oferecer confiança e estabilidade a todos os portugueses e reconstruir um futuro mais próspero, sustentável e inclusivo”, finaliza.

A quebra da procura interna, diz o INE, está associada “à diminuição do consumo privado e do investimento”. É a primeira vez que o consumo está em níveis negativos, desde o terceiro trimestre de 2013.

Quanto às exportações, o gabinete de estatística português aponta uma queda das exportações de 5,1%, enquanto as importações registaram uma redução de apenas 1,8%. Segundo o Ministério das Finanças, o comércio no espaço europeu representa “mais de 70% das exportações nacionais”.

Os dados de hoje do INE comparam com a informação divulgada pelo Eurostat, também esta sexta-feira. De acordo com o Eurostat, a economia da zona euro recuou no primeiro trimestre do ano 3,2% em termos homólogos e 3,8% em cadeia. Tratam-se das maiores quebras desde 1995 e 2009, respetivamente, segundo uma estimativa do gabinete de estatística europeu. Na União Europeia, o PIB diminuiu 2,6% na comparação homóloga e 3,3% na comparação com o quarto trimestre de 2019.

 

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